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Era uma vez...parte II

Mesmo com alguma antecendência tudo estava pronto para a chegada dela...
Ela já pesava mais de 2 kilos, e já tinha mais de 40cm.
Eu havia contado todos os seus 20 dedinhos no ultrassom.
Já havia visualizado seu nariz e seu rostinho, mas ainda não sabia muito bem como era.
Não sabia se era loira ou morena, mas isso não importava. Ela era linda e amada demais.
Eu olhova as roupas, namorava os sapatinhos, arrumava tudo mil vezes. Suas coisas estavam espalhadas pela casa, e o quarto todo planejado na minha cabeça já estava pronto.
Sua presença era intensa em todos os meus momentos, nos objetos espalhados pela casa, nas minhas gavetas cheias de roupas dela, na contagem dos minutos que faltavam para eu olhar dentro dos olhos dela pela primeira vez.
Meu coração batia mais forte a cada gracinha que ela fazia na barriga. Fazia graça para as avós. Algumas vezes presentiava os amigos com um pulinho.
Muitas pessoas esperaram por ela, e ela mudou minha vida de muitas formas.
Esperei por ela muito anos, e ainda nem acredito que chegou e se foi tão rápido.
Desfrutei de cada minuto da companhia dela, desde o começo....

E, então 4 dias após meu aniversário tive um sangramento pela manhã e fui correndo para o hospital. Durante o caminho meu médico me ligava por várias vezes, percebi em sua voz uma preocupação. Em meia hora estava na sala de parto com uma imensa ansiedade. Nem me preocupei quando ouvi a solicitação de bolsas de sangue por precaução....

E em poucos minutos, ela chegou. As 8:26 de uma linda manhã de abril.
Quando ouvi seu choro não consegui conter o meu. Nós duas entoamos uma sinfonia!

Não imaginei que fosse possível sentir aquilo. A minha sensação era exatamente assim "como pude viver até hoje sem ela???"
Aquele momento foi mágico, quem é mãe consegue entender o que quero dizer.
Eu só conseguia prestar atenção nela e não tive medo quando meu médico falou que minha hemorragia estava difícil de conter. A preocupação era evidente. O pai dela alternava entre olhar aquela pessoinha linda e eu. Corria para os dois lados sem saber o que fazer e eu só pedia que ele fotografasse a Lelê.
Apesar dela ter nascido super bem para seus 8 meses com 35 semanas um bebê é considerado prematuro, e também por sua agenesia pulmonar ela precisou ir para a uti neonatal. Não pude pegá-la...Nosso primeiro encontro foi através da incubadora antes de a levarem.
O pai a acompanhou e a fotografou para que eu pudesse vê-la. Namorei aquelas fotos incansavelmente até as 19:30 hs, quando então me liberaram para levantar da cama. Estava tão ansiosa que não senti dor alguma, fui sozinha andando até a uti (não era permitido entrar qualqquer pessoa além dos pais).

Ela estava na última sala e aquele corredor parecia infinito...meu coração acelerava a cada passo que eu dava ao encontro da minha filha.

Ela estava dormindo...tranquila, apesar das agulhas e tubos. Dormia, linda, doce. (A respiração dela piorou durante o dia e foi necessári entubá-la até que seu pequeno corpinho se acostumasse com o único pulmão).
Ao tocá-la senti que meu sonho era real, que ali estava a minha amiga, minha companheira dos últmos meses e para o resto da vida, e para minha surpresa ela retribuiu, abrindo seus olhinhos ainda inchados...Olhou pra mim, e fez uma gracinha.
Ficamos algum tempo assim, e eu agradeci a ela por estar ali. Como toda mãe, desandei a fotografá-la.
Conversei muito com ela, até que as enfermeiras pediram que eu me retirasse pois o horário de visita havia acabado.
E assim se segiram mais dois dias, eu passava o dia todo a seu lado. Como eram bons aqueles momentos, éramos nós duas e parecia que nada mais existia.

No início, assusta um pouco a uti pois os aparelhos apitam a todo momento e a cada som o coraçnao dispara. Com rapidez tratei de entender o que significava cada um deles e o porque apitavam. Já tomava conta até dos aparelhos dos outros bebês avisando as enfermeiras quando algo acontecia.
A minha situação era bem singular, já que todas as mães chegavam acompanhadas de seus maridos a,parando-as naqueles momentos difíceis, e com isso ganhei a força das enfermeiras e médicas. Todas me davam muita atenção.

O dia da alta foi muito difícil pois eu queria ficar lá com ela, me doía muito a realidade de nos separarmos por alguns kilômetros. Mas logo no dia seguinte quando fui visitá-la descobri um grupo de måes que passam o dia juntas se apoiando umas nas outras alternando entre a tirada de leite e a visita a seus bebês e me juntei a elas. Foram muito importantes para mim. Cada história é cheia de amor e esperança.

Foram mais 6 dias de visitas e momentos maravilhosos ao lado da Valentina. Ela acordava ao ouvir minha voz, e todos os dias eu dizia a ela o quanto me orgulhava por ela ser tão forte e especial. A cada dia ela melhorava, havia planos de tirarem o respirador nos próximos dias.
E numa segunda feira, ela piorou, havia pego uma infecção que alguns bebês desenvolvem e de um dia para o outro os médicos nos alertaram que ela poderia partir caso não reagisse aos remédios.
Passamos juntas uma terça feira tranquila, brincamos bastante, ela chorou algumas vezes e se acalmava ouvindo uma música especial que eu cantava a ela. Aquele dia vim para casa com o coração apertado...

(continua...)

2 comentários:

Como pessoinhas tão pequenas conseguem marcar tão profundamente ? Minha mãe perdeu seu primeiro filho com 4 dias e chora por ele até hoje, mesmo tendo se passado 42 anos.
Mas as Valentinas,Karen, eu descobri, são fadas.

Karen, além de também ter uma filha chamada Valentina, eu tenho um irmão que se chama Karen.Bem, na verdade ele não se chama mais.Depois de 30 anos entrou na justiça e mudou de nome.

22/06/2008 20:11  

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Karen, eu não tenho palavras...

23/06/2008 15:22  

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