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foi difícil manter a palavra para mim mesma. ele, novamente me convenceu. estava há mais de mês uma pessoa extremamente agradável comigo. senti até, certa esperança de sermos amigos. em meio a tantos atos gentis, cedi. aceitei, o receber, com seu presente de natal. na chegada um abraço grande. após risadas, conversas despretensiosas, percebi, um fio que levava ao que iniciaria a conversa, atrasada há 2 anos e meio. meus ouvidos tentavam prestar atençnao ao que ele falava, assim, como meus olhos. mas meus pensamentos corriam atrás do fio, que balançava como se ao vento estivesse, a cada batida de meu coração. mas o desejo de pegar aquele fio, que poderia até, cortar-me as mãos, era imenso. reuni todas as minhas forças e o agarrei. macio, no início. as palavras saiam suavemente, mas intensas. não precisei pensar no que dizia, pois era tudo o que eu senti. o ouvinte, meio atônito com minha atitude, tentava justificar a sua. naquele momento não me importava justificar, somente compreender. ele ouviu e atendeu meu pedido, como nunca antes o fizera. ele também precisava daquela conversa. ali, tudo foi exposto sem ferir. compreendíamos que este sim, era o corte do cordão. conseguimos. a despedida, teve um abraçao mais longo, porém menor. "nós merecemos um ano melhor". e teremos. graças a este grande presente de natal.

o nó na garganta de ambos era evidente, pois não nos olhamos nos olhos. não queríamos fraquejar.
ao fechar a porta meus olhos marejaram. senti uma vontade de chorar, e percebi que a Lelê me preparou para isso. por alguns minutos foram lágrimas doloridas, mas o coração estava leve. respirei e concluí: obrigada, pelo presente, filha. agora vejo que isso não dói tanto.

A todos os meus queridos virtuais, desejo boas festas e que 2009 seja bem melhor que 2008!

Imagem: Getty Images

A terra gira, o dia amanhece, a chuva cai, o sol radia...
Mais ou menos assim. Tenho me mantido extremanente ocupada, isso justifica pelo menos em parte minha ausência. Estou ausente do mundo virtual, entretanto, o real está em andamento. Nos últimos tempos tive conversas importantes, com pessoas muito mais experientes que eu em relação a vida, e, descobrir o quanto estas pessoas me admiram por quem sou, pelo que vivi e por minha superação constante me fizeram mais forte. Algumas auseências foram preenchidas. Não exatamente como gostaria que fossem, mas sentir os espaços preenchidos têm me feito muito bem. Passei a acreditar em minha boa sorte. Como assim????? Boa sorte???? É, parece loucura, mas, esta semana validei o poder do meu pesnamento. Coisa que antigamente não continha muita força. Por muitas vezes desacreditei que merecesse certas regalias dadas pela Dona Vida, assim, simplesmente de mãos beijadas. Mas, porque não? Tive provas de que se eu quero, consigo. Aparentemente, antagônico a meu jeito de ser, só que, me dei conta de que este “ser” está em constante transformação.
Este mês, minha boneca completaria 07 meses de vida...considerando a transformação são 15 meses de uma nova pessoa. Esta, que, se descobre a cada dia, uma mulher que ama sua filha mais do que qualquer outra pessoa no mundo, que é capaz de evoluir por si e por ela. Tenho pensado demasiadamente pelo que passei, minha postura perante minha perda, perante o mundo, perante a si mesma, perante a vida...e perante aos demais, porque não?
No natal passado pensei “este é meu último natal sozinha”. Neste natal, meu pensamento é “obrigada, vida, por tudo”. Posso parecer louca, nunca neguei que fosse, mas, essas minhas análises sobre os fatos me fizeram crer que apesar da ausência do maior amor da minha vida, tenho uma imensa boa sorte. A Valentina é o meu maior presente. A pessoa que me tornei por ela, pelo amor a ela é o presente da vida para mim. Sou mais humana. Sou mais humilde. Sou mais mulher, mais madura, mais corajosa, mais forte...mais dura. As vezes, tenho medo de endurecer, mas se isso acontecer, espero não perder minha ternura. Portanto, agradeço. Agora entendo que sou responsável somente por mim e entender esta situação me tirou um enorme peso dos ombros. Neste meu balanço, me senti saudosa em relação a pessoas muito importantes na minha vida:
- meu amigo irmão (moreee...)
- minha amiga irmã (seu buquê só podia mesmo cair na minha mão!!)
- meu primeiro amor de verdade (de quem me orgulho demais)
- minhas amigas de infância (são a minha casa).

Outras, que não mais fazem parte do meu presente, posso dizer que se não estão aqui foio porque decidiram partir. Mas se um dia voltarem, não me encontrarão.
E, algumas outras, tenho afastado meu presente, gosto delas, mas percebi vidas imcompatíveis.
As novas, sejam bem vindas.
À quem dei espaço, foi porque eu quis.
Se me calei, foi porque não tive palavras para palavras tão lindas, em outros casos tão estúpidas.
Se falei foi porque tive vontade. Se tiveram medo é porque não servem para mim. A meu lado, só têm espaço para corajosos. Se tiveram corajem, tenho certeza que não se arrependeram.

adoro

vi lá no blog da Tatá.
sempre adorei essa brincadeira de caderno de perguntas, respondia a todos e todos respondiam o meu. adorava ler as respostas com o decorrer dos anos. irresistível não postar.

na caixinha...


onde está seu celular: os, no meu caso, estão em cima da mesa de jantar.
e o amado: por aí, em algum lugar.
cor do cabelo: loiro (quem diria...)
sua mãe: na casa dela, aqui pertinho. provavelmente, jantando.
seu pai: brincando com a neta dele, enquanto eu não chego.
irmãos: um irmão - exige paciencia, uma irmã, que me orgulha.
seu filho: no meu maior amor.
o que mais gosta de fazer: tirar fotografia, ler, escrever, pensar na vida.
o que você sonhou na noite passada: esqueci.
onde você está: no escritório, em casa.
onde você gostaria de estar agora: num show do the kooks, com todos os meus amigos.
onde você gostaria de estar daqui a seis anos: sinceramente, não faço idéia.
onde você estava há seis anos: essa hora? na faculdade.
onde você estava na noite passada: show do BNegrão.
o que você não é: econômica (oh gosssshhh!!)
o que você é: corajosa.
objeto do desejo: vááários toy arts.
o que vai comprar hoje: nada. ai que delícia!
qual sua última compra: trident de melancia.
a última coisa que você fez: coloquei enfeites de natal.
o que você está usando: vestido que coloquei de manhã...
na TV: não sei, acabou friends agora...
seu cachorro: minha gata. dormindo, só para variar.
seu computador: ainda me dá baile.
seu humor: empolgada.
com saudades de alguém: Lelê, meu pai, minha avó.
seu carro: está tão sujo, tadinho.
perfume que está usando: se ainda estiver, Allure.
última coisa que comeu: danone de morango...
fome de quê: batata frita. sempre.
preguiça de: ai, sou taurina...
próxima coisa que pretende comprar: mais tattoo :D ai, que ansiedade!!!!
seu verão: não sei. nunca me programo antecipadamente.
ama alguém: muito, muitas pessoas.
quando foi a última vez que deu uma gargalhada: hoje a tarde, no msn com uma amiga.
quando chorou pela última vez: domingo, assistindo diário de uma paixão.


esta é a época dos casórios. semana passada fui ao casamento de uma amiga com quem trabalhei. até então confesso que estava desacreditada em relação a este tipo de união de corpos, espaço, objetivos e otras cositas más, que, com ele vêm. tudo bem, sei que não se deve generalizar, mas, enfim, acabou a confiança. tenho meus motivos. entretanto, não é que me pego emocionada acreditando que eles viverão felizes para sempre? essa mente prega cada peça. pensa o que quer sem se importar com o que o coração sente. egoísta! brincadeiras a parte, gostei de perceber que existe em mim ainda uma casadeira. relacionamentos são complicados, independente do nível de intimidade ou se chegaremos a uma finalidade. as diferenças precisam de paciência e muito, mas muito amor mesmo para que sejam passíveis de uma convivência "feliz para sempre".
enfim, mais uma queridona que une seus sonhos ao de um homem e torço muito para que eles os conquistem. e, foi também neste dia que peguei um bebê pela primeira vez depois da minha boneca. não fazia idéia de como seria esta experiência. foi bom perceber que não senti uma pontinha de tristeza sequer. começo a crer que meu luto terminou.

belo ditado

assistindo "os amores de picasso" em determinada cena, Matisse cita o seguinte ditado: "dizem que todos temos dois sóis. um lá fora e o outro dentro de nós. quando o de fora nnao brilha, o de desntro resplandece ainda mais".
faz todo sentido.

o meu coração acelerou de uma maneira indescritível, como se fosse sair pela boca. navegando através do para francisco cheguei ao blog da Renata Rugai e em um trecho deste post ela fala o que sentiu quando sua mãe adoeceu. ERA COMO SE ELA FOSSE EU quando descobri que a Lelê não era um bebê como os outros.

"Sabe que quando você ficou doente enfiei na minha cabeça que se eu desse todo meu amor, você iria ficar boa, acreditava que meu amor te salvaria, achava que meu amor era maior que a morte. Meu amor não te salvou, porque o amor não salva, mas conforta e faz valer a pena.

A vida é assim mesmo, vida-morte, morte-vida, uma não existe sem a outra, mas a gente tem medo do que não sabe né? do acaso, do mistério, queremos respostas o tempo todo e quando não temos inventamos e acreditamos pra assim ficarmos mais tranquilos.

Sei que você foi tranquila porque sabe que nos ensinou a amar, o amor se aprende.
Vc sabia que tem gente que não sabe amar? eu quando encontrei não acreditei, achava que tinha um pouco de amor escondido em algum lugar era só procurar, saber despertar, mas não, tem gente que não aprendeu. E eu achava que a gente nascia sabendo amar, que tola, a gente nasce precisando do outro e depois aprende a amar o outro."



RENATA,
Obrigada.

my sterons



uma das coisas que me encantava em você era o fato de acreditar no meu instinto. isso nenhum dos que vieram após você me davam tanto apoio. seguindo meus instintos fomos longe. fui instigada pela nostalgia quando dia desses sonhei com você e fiz uma volta ao tempo de treze anos.lembrei de nossas semelhanças e diferenças. de quanto tomamos sorvete em uma madrugada em que nevava. corremos e rolamos na neve como crianças. era como se nada mais existisse além de nós. de quando descobrimos que a neve não derrete no fogo. nossas madrugadas jogando playstaion. nossas noites em seu quarto ilumidado a luz negra. olhando a lua através da janela. me lembro de você me ensinando a virar as músicas no mesmo compasso e fazer scratches. me lembro de nossa primeira música "lulaby". me lembro também de nossas brigas. de como eu chorava por você. sentia um medo absurdo de não te ter na minha vida. me lembro de vocie chorando quando te magoei pela primeira vez. me lembro de quando você era o "deus" do meu namoro com meu ex, que no caso, era seu amigo. me lembro do dia em que nos conhecemos. era o dia da minha formatura de 8a série e você junto com o meu ex, eram os djs da festa. depois que esta acabou foram todos dormir no meu apartamento, lá no centro. me lembro como foi que ficamos. me lembro da sua frase "prefiro te ver feliz com ele do que infeliz comigo". e nem fazia idéia que era recíproco. me lembro da sua boca de coração. me lembro exatamente da cor dos seus olhos. e do seu sorriso ainda tímido na época em que tinha vergonha de seus dentes. coisa de gene. me lembro da nossa primeira vez. do dia em que você partiu, e eu fiquei com o coração em pedaços. do medo que eu tinha de você deixar de me amar. da emoçnao que eu sentia quado ouvia sua voz ao telefone. de como você nunca falhava na data de me telefonar. das cartas que eu lhe escrevia diariamente e enviava as sextas. de como você de afastou. e de como de repente, me pediu em casamento e voltou para me buscar. da minha coragem ao enfrentar todos para ir com você. me achavam nova. tola, iludida. maluca, talvez. da sua primeira tatuagem dada de presente por mim. de como você me fazia ter coragem para tudo, não temer a nada, me sentir completa, simplesmente por ter você. do dia do nosso casamento. de como eu detestava ter sua mãe disputando sua atenção comigo. do dia em que partimos, no aeroporto me sentia a mulher mais feliz do mundo, se é que com 17 anos eu era uma mulher. aquele dia minha mãe me viu fumando pela primeira vez. ela, não estava falando comigo direito. era contra minha decisão. coisas de mãe. seria minha primeira viagem de avião. longa, bem longa. mas eu não olhava para trás, tinha você a meu lado e era tudo que eu queria naquele momento. de como enfrentei um forn de 60o graus só para passar o dia perto de ti. você, com muito esforço tentava me segurar nestas decisões mas sempre fui teimosa. nem você me segurava. nem a língua desconhecida que virou fluente. você me preenchia de todas as formas. era minha alma gêmea. juntos descobrimos um mundo novo. descobrimos novos mundos em nós. éramos uma boa dupla. nos completávamos, até nas brigas. com vocie aprendi a nnao chorar e isso me custou reaprender depois. aprendi um amor absolto, sem interesses. amor dado de corpo e alma. nnao melhor que os que vieram depois de você, mas diferente. talvez seja o amor adolescente desmedido. nnao importa, foi divertido. e ao contrario do que acontece com a maioria dos amores que se separam mesmo ainda existindo não nos tornamos diferentes, incompatíveis.nos tornamos iguais. mas esteavamos agora com outras aspirações, totalmente fora de sintonia. aceitar não ter vocie na minha vida demorou mas eu precisei tomar esta decisnao pelo que eu queria para minha vida. mas não, sem antes te incentivar na profissão que vocie tem hoje. a sua paixão começou através da minha. te incentivei dando-lhe de presente a primeira máquina. fui sua primeira "cobaia". tive prazer em ser parte desta sua história, que sei que não conta por aí. mas para mim tudo bem, já que aquele dia no metrô você admitiu que foi por mim que começou a tatuar. nós dois sabemos e isso é o que me importa. mesmo separados estávamos em sintonia. era engraçado te encontrar no metrô e nos darmos conselhos sobre nossos relacionamentos daquela época. eu sempre tive carinho por você. nunca brigamos em nossa separação, tínhamos respeito e amizade pelo outro. te quero muito bem. você é importante na minha história. sabe, não sinto saudades de vocie, mas sinto saudades de quem eu era naquela época. alguma parte de mim que existia lá não existe mais aqui. e as vezes, me faz falta.
hoje, dei um google em seu nome e achei seu myspace. estou orgulhosa de seu trabalho. você estea casadao e muito feliz. com certeza merece tudo isso. estou ouvindo seu playlist, incluvise o título é o nome de uma música que está lá, mas o que mais me fez sentir vontade de ter notícias suas foi a primeira música do playlist ser parte da nossa história. inclusive tem varias músicas que descobrimos juntos. muito legal saber que em você fiz parte como fez de mim. não é esta que estea aqui, ela vai continuar em sigilo. espero uma dia fazer outra tattoo com você, fui aprimeira e adoraria ter uma de seu avanço.



*troquei a música!

almejei demais este momento. serenidade. nenhum vento forte arrancando roupas do varal. mar calmo. sem nuvens no céu.
dizem que após a tempestade sempre vem a bonança, esta ainda não deu as caras por aqui mas se a tendência é melhorar então não ouso reclamar. tenho pensado muito em tudo que ocorreu nos últimos tempos e não encontrei uma explicação lógica de como levantei. a situação era um operário subterrado nos escombros da estacnao de metrô de pinheiros. no meu caso não haviam tantos bombeiros a resgatar-me. somente uma bombeira e alguns cidadãos com boa vontade. mas a eles cabe o árduo trabalho de retirar a terra e cabe ao operário manter-se vivo. fechar os olhos e acreditar que sairá dali. e mesmo com toneladas de terra sobre seu rosto, respirar. enquanto tentam mostrar-lhe um feixo de luz o operário busca esperança mesmo sentindo toda dor do peso esmagando-lhe os ossos tanto que lhe impede de pensar. mas ele encontra forças de um super herói e sai. seus olhos nunca mais enxergarão a mesma coisa. assim minha visão de mundo mudou. seguindo as orientações da minha terapeuta encaro-me no espelho e não reconheço aquela mulher. pergunto-a quem ela é e de onde veio. a que veio, descobri. a mulher que sou hoje não cabe aquele rosto de menina. é estranho olhá-la nos olhos. mas foi aquela menina que suportou o chão esvaindo-se sob os pés e com suas pequenas mãos agarrou na beira do abismo e como que uma mágica seus braços, pernas e tronco cresceram, tornando-a esta mulher que aqui está. não mais faz birra como a menina, entende quando não pode ter o que gostaria, engole o orgulho e pede desculpas, acende a luz e diz não. perdeu muitos medos. mas sem a menina, a mulher não valorizaria cada uma destas conquistas. até sua dor é valorizada. como pode uma dor que mata estar lá mas não doer mais? foi a resistência da mulher ou a esperança da menina? agora tudo tornou-se simples. eliminou os "se", "mas", "quando", "talvez", "quem sabe" de sua vida. é "sim" ou "não". não sei se é coração em paz, ou coração livre. que não a tenho mas para sempre seremos nós duas. simples assim. hoje, posso dizer que sem tudo o que eu tanto quis estou em um momento muito bom na vida.

*****

Omedeto! De nós duas. ;)

meu amor,
no primeiro instante que lhe vi pensei: "que pessoa mais linda do mundo!". mas não reconheci ali traços meus.
em nosso primeiro momento a sós, olhando-a em um sono doce pensei: "você é igual ao seu pai! mas com a minha delicadeza. mas a mão é idientica a minha, assim como os cabelos??!!". quando nossos olhos encontraram-se pela primeira vez pensei: "é muito mais parecida na força comigo do que nos traços...". com o passar do tempo via seu narizinho afinando, coisa que eu gostaria que fosse meu. com o passar do tempo também ficou mais linda. mais corajosa. parecida com a mãe. e com o passar do tempo parecia ainda com seu pai. mas com mais delizadeza. talvez ver em você muito dele me fez ter mais paciência. me fez engolir mais sapos. era muito amor por você. tudo valia a pena. em muitos momentos pensei: "você é danada, personalidade da mãe, cara do pai. vai se dar muito bem!".
e continuei te achando cada dia mais maravilhosamente linda.
hoje, troquei a foto do perfil. foi tirada sem querer.
agora, observando bem meu amor, sim, você tinha traços lindos, meus.

Se alguns meses atrás me dissessem que eu me sentiria como me sinto hoje eu pensaria ela estar blefando. Nnao que eu não tenha escutado palavras de esperança e conforto, mas não houve uma só pessoa que acreditasse em minha total recuperação mental. Não as culpo jea que nem eu mesma acreditei.
Existe uma fase no luto de um filho que desejo do fundo do coração que vocês jamais tenham sequer uma vaga idéia, em que acabam todas as forças. Se algum dia alguém já sentiu uma dor insuportável, seja ela física ou emocional, ao ponto de não sobrarem forças para respirar, multiplique a tal dor por mil. É uma fase curta, e intercalada. Varia de pessoa para pessoa a época. Porém, ela existe. Ninguém ao seu redor percebe que ela está pois não sobram forças para pedir ajuda. A reação geralmente é se encolher. Eu, durante um ataque da dor, criei este blog. Dei ele como remédio, misturada a água e desejos doces (de vocês). Quando a danada vinha, eu escrevia. Conheci pessoas diferentes. Pessoas importantes para mim. Pessoas que não sabiam da minha história, mas se importavam de verdade. Muitas vezes mais dos outros que me rodeavam. Não precisavam fazer social. Estavam aqui por lerem uma mulher dedicada a sí mesma e sem o maior amor da sua vida. Porque acreditaram em mim. Com o tempo, a dor adormeceu (não posso garantir que ela nunca volte) e o amor por si e sua filha a incentivava a acordar bem todos os dias, a pensar muito em sua vida, a reconhecer seus erros, a perdoar, a duvidar, a questionar, a aceitar, a enfrentar, a assumir, a sobreviver, a existir, a crer e....agora a viver. O instante. O hoje. O futuro.

MOTIVO

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Cecília Meireles, in "Viagem", Antologia Poética, 3ª ed., Editora Nova Fronteira, 2006

Não.


ela, em sono profundo.

PIRIRIRIRIRI

- Hã? (ah, msg no celular)

Sonolenta, estica braço descordenadamente, alcançando o aparelho.
DESLOQUEIA >> LER

- Acorda! quero sabe se ce ta bem!
AUTOR: ELE.

- Que horas são heim?
MENU: 02:52 AM

recoloca o aparelho no criado mudo, vira-se para o lado e fecha os olhos.
PIRIRIRIRIRIRI
(Ai Deus. Que Saco)
DESLOQUEIA >> LER

- Vai, porra! tive um sonho com vc e to preocupado. ce ta bem?

(Caralho!)

vira para o lado já com o aparelho na cama. conhece-o muito bem.

PIRIRIRIRIRI

- Puta que o Pariu. (nossa, como estou falando palavrão!)

DESLOQUEIA >> LER
- que ce ta fazendo?

RESPONDER
- Esta td bem, não se preocupe. Dormindo.

ela deixa o aparelho na cama para não ter o trabalho de se virar.

PIRIRIRIRIRI
DESLOQUEIA >> LER
- Td bem? To com sds (peraí essa palavra não é sua, quem mandou vc usar?) queria te ver.

RESPONDER
- To bem sim.


PIRIRIRIRIRI
DESLOQUEIA >> LER
- posso ir ai?

RESPONDER
- Não.

(saco, agora perdi o sono)

PIRIRIRIRIRI
DESLOQUEIA >> LER
- pq?

RESPONDER
- Porque Não.

PIRIRIRIRIRI
DESLOQUEIA >> LER
- posso te ligar entao? vai, deixa eu falar com vc...

(agora quer falar comigo. engraçado).
RESPONDER
- Não.

PIRIRIRIRIRI
DESLOQUEIA >> LER
- vai...vem aqui então

RESPONDER

TRIMMMMMMMMM

- Alô?
-Oi. Td bem? tava dormindo?

(como se não soubesse).
- Oi, tudo e vc? tava.
- To com saudade, vamos nos ver?
- Não. (lembou-se dela, que explicou sua mania de se explicar, e tentando mudar este padrão, foi pontual).
- Mas pq?
- Pq não. Chega disso.
- Vc não pode fazer isso com o que a gente tem. Vc não vai acabar com tudo assim né?
- Já acabou faz tempo.
- fala comigo...
- Tô falando.
- Vai...quero te ver.
- Não. Vai dormir.
- Não posso dormir.

(quer que eu pergunte porque)

- Então, bom descanso quando vc dormir.
- vc não vai mais me ver?
- Não. Boa noite.

recolocou o aparelho no criado mudo, virou-se, leve, com o coração feliz. sem se importar com nada e dormiu.

...se aprendi a ser feliz sem você, nada mais me faz falta.


*A todos os queridos e queridas, desculpe minha falta em suas casas, esta semaa está corrida!

"..."

Adiós!



Não gosto de dizer adeus, prefiro sempre um "até mais". Neste caso, entretanto, o meu adeus veio do coração. Em algumas ocasiões na vida é essencial dizer adeus. É preciso liberar o espaço do velho para o novo. É libertador. Veio sem pressa, naturalmente, do dia para a noite. É com muito prazer que digo:
"Você não tem mais espaço aqui. Seja feliz. Adeus.".

Agora sou um barquinho.

Moro em São Paulo, capital. 2 milhões de habitantes, trânsito caótico, tudo 24 horas. Olho ao horizonte e só vejo prédios na noite.
MAS AQUI, também existem grilos...como é mesmo o barulhinho?

Se eu precisasse salvar somente um de todos os sentidos seria a audição. Consigo me imaginar sem a visão e, ok. O Olfato...ok, consigo me imaginar como se estivesse resfriada para o resto da vida. Sem paladar, ok tb, não sou gulosa mesmo e é como viver comendo alface e tomando água. Tato...no problem. Amo o toque, mas tudo bem não sentí-lo nas mãos já que sentirei no restante do corpo. Fala, amo ficar em silêncio, me traz paz. Mas não consigo imaginar uma vida plena sem os sons. Alguns eu não faço questão, mas não viveria sem música. Em mim, a música é capaz de despertar os cinco centidos e mais centenas inimagináveis. Hoje, ouvi uma música que me fez sentir viva. Muito viva, totalmente em outro mundo. Com uma imensa vontade de realizar, a minha vida.


Ao longo dos meus trinta anos tenho me esforçado para te acompanhar. Acompanhar seu ritmo frenético de fazer acontecer, ter a mesma vontade de SER. Raras vezes consigo ter essa liberdade nata em você. Aprendi nas vezes passadas a cuidar de ti e luto desta vez para não ter vontade de controlar-lhe. Sua liberdade ainda me assusta, mas definitivamente faz parte de muitas de suas qualidades que admiro. Você, por sua vez, não faz parte do que foi delineado como típica mãe, mas com o tempo entendi que você é mãe da sua maneira. Suas lições não declaradas fazem parte das caracteristicas que me fizeram ser como sou. Destemida, corajosa, lutadora, transparente e digna. São algumas delas que você me presenteou. Grande parte do que você gosta em mim, aprendi contigo. Amar. Aprendi a amar todos sem preconceito como você sempre o fez, aprendi a olhar o ldo positivo das situações como vocie faz na maioria das vezes. Com seus defeitos também aprendi. Descobri que antes de ser mãe você é um ser humano e tem vida própria. Hoje, admiro sua coragem. Me sinto especial por ser parte de ti, consigo buscar em seus braços o meu maior conforto. Estes que sempre estiveram a minha disposição e de quem tanto fugi tentando parecer forte, mas minha maior força veio de você. Se Almadóvar soubesse sua história com certeza faria um filme "tudo sobre a mãe dela". Você é digna de aplausos, pois é uma pessoa de verdade, daquelas que não vemos muito hoje em dia, raras que não fazem questão de serem perfeitas, que vivem sua vida plenamente. Isso eu não herdei de ti mas tenho esperanças que esteja em meu dna e aflore qualquer hora dessas.
Hoje entendo que não tentar fazer de você um esteriótipo é mais inteligente, pois tenho a mãe mais especial que já conheci. Não como as demais, e sim uma de verdade, a minha. A bela, verdadeira, humana.
Seus braços são o melhor lugar do mundo para mim. Sua voz é a melhor de ouvir. Agora sei que você é muito mais forte do que eu imaginava, e quando eu mais precisei do seu controle você o exerceu. Sinto em você toda a proteção que necessito. Mesmo que você não possa me proteger das fatalidades da vida, você se tornou a minha base para superá-las pois me ensinou a ser quem sou.
Tenho orgulho de ti, amo-te plenamente.
Feliz aniversário mãe.

Essa música é para você:

Delicada


Poros

Você foi saindo de mim

Com palavras tão leves
De uma forma tão branda
De quem partiu alegre
Você foi saindo de mim
Com um sorriso impune
Como se toda faca não tivesse
Dois gumes
Você foi saindo de mim

Devagar e pra sempre
De uma forma sincera
Definitivamente
Você foi saindo de mim
Por todos os meus poros
E ainda está saindo
Nas vezes em que choro"


(Ivan Lins)

Reciclagem

Quando Nina olhou aquele cenário sentiu-se parte de um filme de Fellini. Neo-realismo total. Em algumas partes de cenas enxergava em tons de sépia os personagens já conhecidos e quando seus olhos encontrava novos personagens os tons variavam ao colorido. Não sentia-se incomodada mas tinha certa ansiedade em sair dali. Entretanto, como elenco do mesmo filme não podia sair de cena. Retornava aquela que outrora foste sua casa. Percebeu ali entre os atores uma nova personagem e quase que instantêneamente ao cruzarem olhares a antipatia tomou-lhes posse. Foi recíproco. Esta era nova moradora. Joana não era a nova protagonista. Tampouco um dia Nina a foi. Não era uma disputa de cenas já que cada uma possuía as lhes dadas pelo diretor. Foram necessários dez dias de bom dias obrigados, ajudas difíceis. Até o dia em que um assunto em comum as aproximou de uma maneira totalmente de cara limpa, sem maquiagem. A perda ou quase perda de seus filhos.
E naquela segunda-feira Joana teve atitude e Nina coragem. Uma conversa. Duas lutadoras. Duas mães. Duas mulheres. Uma moeda de chocolate e lágrimas como agradecimento. "É para te adoçar" disse Joana. "Obrigada por perceber" Nina disse.


Geralmente as pessoas não são muito fãs do primeiro dia útil da semana. Eu, pelo contrário, sempre gostei. Nasci em uma segunda-feira. A Lelê nasceu em uma segunda-feira. O gostinho do não fazer nada, sem compromisso do final de semana é bem melhor, claro, mas este outro dia tão odiado por Garfield também tem um gostinho especial, traz com ele esperanças de uma ótima semana, um anseio por novidades, indicações de que ainda tem-se mais quatro dias para as coisas acontecerem e tudo se encaixar melhor. E quando isso não acontece, espero pela segunda-feira que vem!Percebi que estou diferente, gostaria muito de saber explicar, mas ainda não o sei. Não detectei onde algo mudou. Talvez a urgência de ver o movimento da vida, talvez a vontade de novidades, me controlo para não me sentir ansiosa, mas uma coisa é certa, decidi fazer o que estiver a meu alcance para que haja muito movimento daqui para frente, comecei ontem (isso me deixa extremamente feliz!!), o restante, continuo amiga da paciência e do meu melhor amigo, o tempo.

Enquanto isso volto a ser criança sob um sol radiante...Foi divertidíssimo, eu com duas meninas pulando amarelinha.Claro que eu ganhei mas o que eu esperava? Uma tinha 5 anos a outra 10.
Foi engraçado, delicioso...


Lindo seria se pudéssemos a cada dia vestir-nos com diferentes fantasias. Dia de cavaleiro (para ter coragem), princesa (para ter a doçura), Wally (para sumir na multidão), caipira (para descansar no mato), havaiana (para pegar uma praia), batman (para combater o mal), charada (para fazer piada), pin up (para ser um ícone), Che Guevara (para ter uma causa), político (para parecer corrupto), mulher maravilha (para ser heroína), grego (para parecer livre), alice (para ser um conto), He-Man (para não ter medo), santo (para fazer milagre).
Ser Humano não é fantasia mas é brilhante por ter um pouquinho de cada qualidade de uma loja de fantasias.


hmmm, semana novinha em folha para escrever mais alguns capítulos da minha vida. segundo meu mapa astral esta não será uma semana fácil, mas eu desacredito! De alguma maneira, por algum motivo que não sei, estou animada. vai ver é o sol que já estava presente as 6 e meia da manhã, vai ver é a chegada da minha mãe (horrível ficar 2 meses longe dela!), vai ver é meu lado ansioso em ver dias melhores. afinal, vivemos esperando dias melhores, dias de paz, dias a mais...
o que foi bom na semana passada foi que descobri que tenho um lado antagônico e têm sido bastante divertido questionar meus próprios pensamentos. realmente tudo fica mais leve quando encarado sem tanto peso. uma delícia. óbvio que eu gostaria de estar aí, neste local da foto (Fortaleza heim, Sheyla!), mas enfim, estou no trabalho e tenho muito a fazer (e quem disse que na praia eu não teria?!?)

A semana passada foi difícil. Tinha a percepção de que ela nunca acabaria mas sorte que minha percepção me engana em algumas circunstâncias. Inclusive, a falta de sorte me acompanhou na mesma semana. Pequenas coisas, mas que de certa forma dão dor de cabeça. Agora estou no final de outra semana, desta vez, um pouco menos difícil. Digamos até que foi uma boa semana, sem muitos ganhos, no empate. Zero a zero. Espero na próxima ficar no um a zero. Com a volta ao trabalho não tenho tido tempo de dar atenção como antes, mas isso é normal. Tive ainda nesta semana uma sessão incrível com a minha terapeuta, com resultados bem positivos, identificando algumas reações minhas e delineamos uma margem de correção. Como ela diz, reprogramação do cérebro! Amei isso. Estou praticando e não se se a empolgação é tamanha que sinto alguns resultados. Isso me remete a conversas que já tive com diversas pessoas sobre mudanças onde afirmo que mudar é possível. Acredito nesta afirmação pois busco sempre me melhorar como ser humano, creio que basta força de vontade. E muita, acreditem, já que algumas ações são praticadas sem a devida percepção. E, para finalizar, coloco aqui um texto que tem tudo a ver com esta minha semana melhor (enciado por um amigo):

MUDE
Clarice Lispector

Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e fecha as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama. Depois procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de TV, compre outros jornais, leia outros livros.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde. Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia numa outra lingua. Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas dferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia, o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, a nova vida.

Tente.
Busque novos amigos. Faça novas relações.
Almoce em outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado, outra marca de sabonete, outro creme dental.
Tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores, Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas. Compre novos óculos.
Escreva outras poesias.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.

Mude. lembre-se de que a vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!

Tenho muito e nada para dizer. No momento esta letra resume a ausência...e a outra mão está no bolso...



Tradução...
Hand In My Pocket (tradução)
Alanis Morissette
Composição: Alanis Morissette

Mão No Bolso

Estou dura mas feliz
Sou pobre mas gentil
Sou baixinha mas saudável, sim
Estou viajando, mas estou de castigo
Sou sensata mas subjugada
Estou perdida mas tenho esperança, querido

E a que tudo isto se resume?
É que tudo ficará bem, bem, bem
Porque uma de minhas mãos esta no bolso
E a outra está dando um aperto de mão

Sinto-me bêbada mas estou sóbria
Sou jovem e ganho muito mal
Estou cansada mas estou trabalhando, sim
Eu me importo, mas estou inquieta
Estou aqui mas na verdade não estou
Estou errada, e sinto muito, querido

E a o que tudo isto se resume?
É que tudo ficará numa boa
Porque uma de minhas mãos esta no bolso,
E a outra está acendendo um cigarro.
E a o que tudo isto se resume?
Ainda não entendi tudo
Porque uma de minhas mãos esta no bolso,
E a outra está fazendo um sinal de paz
Eu sou livre, mas sou dedicada
Sou imatura, mas sou esperta
Sou durona,mas sou amável querido
Estou triste mas estou rindo
Sou valente, mas sou uma merda de galinha
Eu sou maluca, mas sou bonita, querido

E a que tudo se resume
É que ninguém conseguiu decifrar tudo
Porque uma de minhas mãos esta no bolso
E a outra está tocando piano
E a o que tudo isto se resume, meus amigos?
É que tudo ficará bem, bem, bem
Porque uma de minhas mãos esta no bolso,
E a outra está chamando um táxi


Os jogos de tabuleiro possuem algo de muito especial para ela. Desde bem nova reunia-se com a dezena de primos e primas cotidianamente e divertiam-se durante horas dominando continentes, descobrindo quem fora o assassino, construindo famílias, cidades e fazendo mímica. Era um de seus passatempos preferidos.
O tempo passou e ela cresceu. Por determinado tempo esqueceu-se das regras, pinos coloridos, cartinhas e dados, ocupando-se em seguir outras regras com o objetivo de ter um bom lugar ao sol.
Foi então que em determinado momento viu-se convivendo com pessoas que tinham aquela mesma paixão, e já adultos reuniam-se numerosos para esquecer um pouco as regras reais e se divertiram com as cores. Eram madrugadas regadas a gargalhadas. Todavia, como em qualquer jogo de tabuleiro, sempre há aquela carta que faz o jogador voltar 5 casas, entregar o dinheiro ao banco, não jogar uma rodada, retirar o prédio ou ser morto pelo assassino...quando isso acontece o jogador sempre fica um pouquinho atrás dos demais ou perde alguma vantagem. É questão de sorte não pegar alguma dessas cartinhas no monte, mas ela pegou e ficou algumas rodadas sem jogar somente observando os demais jogadores aumentarem a quantidade de espaços no tabuleiro. Chegou a pensar que não ganharia mais o jogo mas calculou a probabilidade e entendeu que ainda é possível ganhar o jogo, ou pelo menos ocupar a segunda posição. Provavelmente ainda conta com a sorte, mas decidiu não desanimar já que o jogo não está nem na metade. Que lancem os dados e virem a ampulheta!

Avestruz

Não imaginei que seria tão difícil. Não somente pelo retorno mas pela soma de fatores.
Sinto que precisarei aumentar a frequência na terapia. Os dias têm sido praticamente uma tortura. Preferiria ser exilada e submetida a torturas contínuas com farpas sob as unhas, choques elétricos, banhos de água gelada em temperatura de 30oC negativos ou até mesmo banhos de álcool pós cortes com lâminas bem afiadas.
As mudanças correntes me abalaram bem menos do que fatos sem ligação com o trabaho. Procuro me adaptar as novas idéias meio a algum atrito com novos personagens. Está extremamente dolorido. Pisaram no calcanhar de Aquiles. Desejo ser um avestruz para enfiar minha cabeça em um buraco e de lá não tirá-la tão cedo. Têm sido bom exercitar a mente mas a alma está novamente enferma. Precisa de cuidados e somente ao som em altíssimo volume a dor abranda.
Estou decepcionada comigo, pensei que estivesse forte o suficiente para encarar a realidade mas ela machuca. procuro não fugir, mas juro que tenho vontade de sair correndo. Entretanto as pernas estão fracas com a falta de força na alma e me resta continuar sentada frente ao monitor. Engulo o choro, fica o nó na garganta, este tão forte que me sinto em uma forca. Quem dera.
Me pergunto se um dia passarei pela mesma situação sem esta dor...não sei a resposta, mais uma vez conto com o tempo, este, que têm sido meu ombro amigo.

Sinto muito a falta dela. Dói ver os bebês chegarem, os amigos comemorarem e eu não conseguir fazer parte da festa. Que me perdoem estes amigos, mas está fora de meu controle esta sensação.
Hoje, em meio a comemorações, pensava em meus momentos com a minha boneca, e na música que tanto ouvia quando ia cedinho para a maternidade ver minha cria....

Não quero ainda falar sobre o meu retorno ao trabalho, mas nestes dois dias vi que a realidade bate a minha porta, e o mundo não vai parar para sentir a minha dor. Não foi ruim, mas acontecimentos que não se referem ao trabalho em questão me fizeram sentir mais ainda a falta da minha boneca. Gostaria de poder gritar pdeindo a todos que se calem mas não tenho como o fazer...

"Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas."
Clarice Linspector


Ela aparecerá para mim também, em alguns momentos, mas acredito que venham. Hoje foi dolorido.

Bom, acabara a moleza! A partir de hoje, cedo, bem cedinho mesmo, acordando com as galinhas, me levanto para ir ao trabalho. Em tempo algum pensei ser capaz de ficar tempo tão longo sem me dedicar a minha vida profissional, mas foi ótimo ter o meu tempo só para mim. Me dediquei a minha recuperaçnao física (no início) e emocional e não me sinto nada culpada por isso.
Se estou preparada? Hum...não sei. Veremos! para não começar o dia tnao mal humorada, uma musiquinha leve....

Inspirada pelo texto de um amigo, mas um pouco inverso, pensei nas lições que aprendi com minha mãe. Ainda não escrevi sobre ela, mas estou aguardando o momento certo pois faltam palavras para isso. Enquanto não desenvolvo algo tão especial, consigo resumir em como ela me ensinou durante a vida, até hoje.

1. Caráter: não importa a situação em que eu me encontre, ter um bom caráter é base da minha essência.
2. Ser eu mesma: não me importar demasiadamente com a opinião das pessoas, claro que isso tem um preço, mas a melhor sensação é saber que sigo meu coração. Não tenho vergonha de quem sou, de onde vim e do que faço. Minha mãe sempre foi ela mesma e é amada demais por todos que a conhecem justamente por isso.
3. Acreditar na minha intuição: seguindo a linhagem feminina da família, tenho aguçada intuição. Nunca me decepciono quando a sigo, por mais controversa que possa parecer.
4. Ter amor-próprio: não sou perfeita, mas me amo como sou. Procuro evoluir sempre, mas nada, nem ninguém destruirá este amor. Respeito para ser respeitada.
5. Personalidade: parecido com ser eu mesma, mas com um "quê" a mais. Sempre gostei de não parecer com ninguém, de ter minhas opiniões, por isso jamais alguém me verá discutindo muito sobre algo. Tenho minha opinião, você tem a sua, não pretendo mudar a de ninguém e raramente alguém consegue modificar a minha. Por isso pareço uma mula empacada muitas vezes. É também motivo para que eu fique bastante irritada quando alguém tenta me copiar ou se parecer comigo, acredite, já aconteceu muito.
6. Dignidade: ouvi muito isso dela quando a Lelê faleceu. "você foi muito digna, tenho orgulho de você". Foi a melhor coisa que escutei na vida. O meu peito se encheu de orgulho pois seguindo todas as lições anteriores agi dignamente e isso não tem preço.
7. Humildade: é uma delícia admitir que errou, quando isso é verdade. Lava a alma. Alma lavada traz paz. Ela me ensinou a não ter vergonha de pedir desculpas e claro, a Lelê reforçou este meu lado.
8. Coragem: Nem sempre o caminho que escolhemos é o mais fácil, mas o mais importante nisso é ter coragem e determinação para chegar onde quero. Essa lição custou a ela uma briga feia e alguns anos longe de sua filha que morava em outro país.
9. Aprender com os meus erros: esta lição tão importante aprendi não através de palavras mas vendo ela apanhar da vida também. Ela aprendeu, muito. E com isso me ensinou. Agora ela pode falar "filha, você caiu, mas olhe a pessoa que você se tornou. Sempre tente tirar algo de bom das coisas difíceis em sua vida".
10. Demonstrar o que sente pelas pessoas: Me ensinou a ser verdadeira. Graças a esta lição posso dizer que nunca uma pessoa me chamou de falsa. Se gosto demosntro, se não gosto também saberão. Não sei sorrir quando não tenho vontade. E sorrio sempre que tenho. Sendo assim, as pessoas que amo sempre receberão abraços meus sem motivo e ouvirão um "eu te amo" quando me der na telha.

E o mais importante de tudo é ouvir dela: "Não importa qual caminho escolha, estarei sempre do seu lado".


semana passada ela reparou nos cacos da obra, ainda ali jogados sem destino. "saco, ainda não sei o que fazer com isso!". como é difícil dar desinto à certas coisas na vida. olhou. suspirou. sentiu uma certa nostalgia. "chega, hora de dar um rumo à isso também". abriu o embrulho e lembrou de como a obra fora linda outrora. uma lágrima escorreu de cada um de seus grandes olhos. "tudo bem, o que importa é a lembrança". fechou o embrulho com certo pesar, pensando em tudo o que aqueles cacos coloridos significavam. dizia a si mesma, em tom de voz baixo e suave todas as lembranças que apareciam em sua mente. testou sozinha o método utilizado por sua terapeuta com as lembranças. pediu à sua fiel secretária e amiga que os destinasse mais uma vez ao cesto prateado. a secretária, uma pessoa bem simples, quase da mesma idade que ela, mas de uma sabedoria peculiar exclamou "não faça isso, vocie sentirá falta deles. vc é tão criativa, use os "vidrinhos" para outra coisa". então ela lembrou-se de um certo conselho e decidiu seguí-lo. levou alguns dias manipulando os fragmentos coloridos e percebeu que agora eles possuíam um brilho diferente. mais bonito e suave. ou, então sua maneira de enxergá-los modificou-se. agora ela passa alguns momentos do dia deliciando-se com as diferentes e belas imagens que aquele objeto reproduz. ela gosta muito do que vê.



Bright Eyes - "First Day of My Life"

This is the first day of my life
Swear I was born right in the doorway
I went out in the rain, suddenly everything changed
They're spreading blankets on the beach
Yours is the first face that I saw
I think I was blind before I met you
Now I don't know where I am, don't know where I've been
But I know where I want to go

And so I thought I'd let you know
That these things take forever, I especially am slow
But I realized that I need you
And I wondered if I could come home

Remember the time you drove all night
Just to meet me in the morning
And I thought it was strange, you said everything changed
You felt as if you'd just woke up

And you said, "This is the first day of my life.
I'm glad I didn't die before I met you.
But, now I don't care, I could go anywhere with you
And I'd probably be happy."

So if you wanna be with me
With these things there's no telling
We'll just have to wait and see
But I'd rather be working for a paycheck
Than waiting to win the lottery

Besides, maybe this time it's different
I mean I really think you like me


Repetições em minha vida. Diferente de correr atrás do próprio rabo, algumas coisas eu não consigo evitar.
Certos comportamentos, por mais que eu tente não consigo deixar de repetí-los. Assim como os vícios sei que não devo, entretanto fico extremamente satisfeita quando retomo-os.
É o tipo de coisa que não tem volta, como um mergulho na piscina. Mesmo não querendo se molhar, depois que pula, está molhado.
Penso muito antes de pular, mas a água azul, límpida e convidativa acena para mim. Grita meu nome. Está gelada. Mas é irresistível. Dou alguns passos para trás e corro em direção a ela. Sempre. Desta maneira não me sinto um peixe fora d'água mas parte do cardume.


Fui dar uma volta por aí, explicado meu sumiço. Praia, meu lugar favorito no mundo. Olhar o horizonte, me perder na linha reta em azul turqueza com a mente vazia. Sem pensar. Sem questionar. Inspirar o ar puro, abrindo o diafragma e expirar bem devagar. Respiração correta é tratada na terapia. Desde que iniciei vi o quanto respiro mal, minha ansiedade não me permite que tenha longas inspirações/expirações. Movimentos vitais que na coreria do dia a dia é impossível prestar atenção a não ser que a pessoa seja praticante de yoga. A solicitação que muitos jogam da boca para fora "respira fundo!" tem muito sentido, e não só para a saúde física e mas para a mental.
O lugar escolhido é onde me sinto em casa. Naquele lugar me sinto mais eu.....
Fui em busca do sol, que decidiu não mostar a cara mas no lugar dele encontrei mais um teste de resistência. Me senti em um daqueles programas de televisão que mandam as pessoas para os piores lugares com o objetivo de testar sua resistência e o mais esperto/resistente ganha uma quantia em dinheiro. Eu, por outro lado devo ganhar alguma coisa que ainda não descobri.
Um dos hotéis mais legais com pé na areia possui entreternimento inclusive para os dias chuvosos. Aceita crianças. Eu, apesar de não ver a cara do astro, trazia uma tranquilidade que nem mesmo a ausência dele me zanguei. Utilizei todos os recursos que o local dispusera. Nem mesmo os adolescentes cochichando na hidro a beira do mar "vamos jogar água e expulsar elas daqui" conseguiram me irritar em contrapartida ouviram uma bela bronca com um "por favor" no final da frase. Engraçado como muda a postura de uma pessoa quando se torna pai/mãe, percebi isso quando a minha amiga pensava em berrar com eles e eu me perguntava onde estava a mãe dos pentelhos.
Era um desfile de bebês. Mães orgulhosas de suas crias dividiam-se entre um passeio na areia e as ordens às babás. Não contei quantos haviam, só sei que eram muitos. Até aí ok. Nada me incomodou e por nenhum momento a tristeza bateu à minha porta.
Todavia, como a vida sempre me testa, estava eu, naquele pequeno espaço, o melhor para se ocupar durante o dia nublado quando juntam-se a nós um casal com sua filha na média dos 4 anos. Logo, mais duas senhoras. Todos interagimos, falamos do tempo, aquela conversa de quem acabou de se conhecer. Tempo depois juntaram-se a nós os pais de um casal de gêmeos com seus bebês. Estavam ansiosos para ver como os pequenos reagiriam aquela nova descoberta. Todos estavam encantados com a menina que adorou a experiência e riam do menino que estava totalmente inseguro. Eu também me divertia com os dois até o momento em que a mãe e a outra mulher iniciaram uma conversa:
- Quanto tempo eles têm?
- 5 meses
- Ah, o meu outro filho que estâ com a babá também tem 5 meses.
- Eles dormem bem?
- Não, acordam a noite inteira e o seu?
- Também acorda, mas já me acostumei.
- É um sacrifício que vale a pena né?
- Com certeza, ser mãe é a melhor coisa do mundo. Os seus ainda mamam no peito?
- Não, já saíram da maternidade com mamadeira e o seu?
- O meu também, não tive muito leite. É a primeira viagem dos seus?
- Sim, estamos aproveitando bastante com eles, estão em uma idade de descobertas muito legal.
- É nossa primeira viagem com o nosso também. É muito difícil cuidar de gêmeos? Minha irmã está grávida de trigêmeos está adorando...
- Não, é bem difícil mas depois ela acostuma. Parece que já nascemos prontas para cuidar deles...


Mergulhei no meu silêncio. Naquele momento queria muito poder fazer parte da conversa. Mas não pude. Me restou ouvir, digerir. Aguentei firme e forte, afinal a vida me testa sempre. Mais tarde, longe de todos, chorei.


Imagem: Karen

Calmaria. Cessação do vento e do movimento das ondas; calor sem vento; tranquilidade geral; ausência de notícias e de factos importantes. Assim está o momento. Depois de tantos movimentos necessários para algumas coisas se encaixarem me dando a possibilidade de caminhar sem grandes obstáculos por determinado tempo. Certos assuntos me dão a impressão de voltarem ao estágio inicial entretanto, se eu olhar bem de pertinho vejo que por mais que pareça repetição, não é. Os movimentos estão se repetindo porém os personagens têm agido de maneira diferente da que me acostumei a ver. Às vezes me assuto já que também me acostumei a reagir como sempre e está sendo necessário agir mais ao invés de só reagir. Confesso que estas mudanças estão me agradando demasiadamente. Adoro surpresas, boas principalmente. Percebi que a minha boneca não modificou só a mim como a todos ao meu redor. Tenho pavor em repetir erros, em reviver situações desconfortáveis, mas como uma teimosa assumida não desisto tão facilmente quando vejo uma luz no fim do túnel. E ultimamente tenho visto uma luzinha que começou pequena e conforme me aproximo seu brilho se intensifica. Que delícia de sensação...adoro ver que junto com a primavera as pessoas a minha volta estão florescendo. Adoro ver que as mesmas relações são possíveis de se modificar e tornarem-se novas...novinhas em folha, exatamente como as folhas que nascem na primavera. Tenho conseguido me animar muito com as coisas, minhas antigas olhas se foram, novas estão nascendo...
"Obrigada bonequinha, minha flor de laranjeira, você trouxe mais conhecimento, clareza e paz à sua mãe. Te amo, sempre amarei".

Queijim!


Digamos que a alma está lavada. Usei Vanish durante estes dias e ela está praticamente sem nenhuma mancha. Algumas não saem mesmo, quando pegam no branco não há nada que limpe novamente. Mas eu, como boa nova paciente, aceito as mudanças sem chorar pelo leite derramado.
A responsável ajudante desta leveza toda tem um nome: Coração.
Este coraçãozinho me mostrou coisas boas da vida que eu há muito não vivia como união, amigos de verdade, a grande necessidade de lutar por dias bem melhores, rir sempre, o calor dos desconhecidos, o carinho dos novos amigos. Que é muito mais que possível não precisar de muito para ter momentos felizes.
O caminho foi de ansiedade e o retorno foi de alegria. Mesmo sem ter dado tempo de coração me mostrar tudo que queria amei cada momento. Você é uma mulher incrível, te admiro ainda mais.
Obrigada pela brisa, pelo desconhecido, pelo abraço melado, pelas risadas, por fazer da sua casa a minha.
Te espero aqui e tenha certeza que torço ainda mais por ti. Entretanto agora que você já fez com que eu me sentisse praticamente na minha terra, espere novas visitas minhas...rsss


Bom, semana chegando ao fim e muitas novas resoluções na minha vida. O movimento ainda é pouco, mas o importante é mudar de dentro para fora e não de fora para dentro. Ou seja, agir, e não reagir. O quarto está desmontado, mas isso é assunto para um próximo post.

Você, sempre se colocou em segundo lugar, na segunda posição. Não fui eu que te coloquei aí, foi você mesmo. Como já comentei em algum post, geralmente as pessoas reclamam do que não fazemos e nem sempre reconhecem o que fazemos.
Você teve espaço, não ocupou porque teve medo. Desde que me comprometi com a sinceridade entre nós cumpri com este compromisso. Venho cumprindo desde então. Às vezes eu chego a conclusão de que você não tem coragem o suficiente para me acompanhar. Você teve a faca e o queijo na mão.
O engraçado é que eu te admiro em todos os sentidos. Seria muita sorte ter você do meu lado. E tive. Não como gostaria, mas tive.
Eu não te abandonei, mas decidi cuidar de mim mesma. Sim, eu sei que você cuidou de mim. Sou grata, muito grata, sei que não poderei retribuir, mas saiba que mesmo que eu tenha pedido você escolheu estar ao meu lado. Você foi o melhor dos homens quando eu mais precisei. Mas não foi quando eu mais queria. Eu me afastei porque cansei da metade. Não sou mulher de metades, comigo é tudo ou nada, 8 ou 80. Por você abri uma excessão e mesmo assim nunca me arrependi.
E não só me afastei por cansar da metade como me afastei por me querer inteira. Hoje não sou sua e de mais ninguém, eu sou minha. Só minha. O meu amor hoje é o mais puro...mas ele é da Lelê. E sei que você não acha isso ruim. sabe melhor do que todos o que eu passei e senti, deve saber também que ela de certa maneira deve olhar por você, já que você cuidou tão bem de nós duas.
Agora estou livre, coraçnao livre. Amo sim. Não se esquece alguém desse jeito. Mas prefiro amar de longe. Por mais que diga o contrário, quando chegou a hora você não teve forças para entrar na minha vida. Eu quis muito. Hoje, acho que você nem tanto, pois falar é fácil.
Você nunca quis que eu falasse de você, mas aqui estou. Por mais que não acredite eu também te amo. Mas se não acredita, também não importa. Obrigada por tudo. Obrigada por fazer minha vida mais leve, meus problemas menos difíceis. Você é incrível, sorte de quem tiver você e azar de quem te perdeu. Amo muito vcs dois (kc e vc). Se não nos cruzarmos mais nesta vida o casamento pos mortem está de pé por aqui.

E, para embalar meus dias de folgas mineiros....(obrigada amigo marketeiro que gosta de doce de leite!)

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração, vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.


Carlos Drummond de Andrade


Pronto Estrela! Alcançou-me o coração! Sem medo....


Sempre soube que não sou perfeita, muito menos sirvo de exemplo para alguém. Sei que não tinha nascido para ser uma boa dona de casa. Cozinho mais ou menos, não sei tirar manchas...Também nunca achei que tinha nascido para ser a profissional mais importante do mundo, com citações nos meios de comunicação de maior destaque. Também sei que não nasci para ser a esposa ideal. Aliás, não tenho certeza nem se nasci para ser esposa, quanto menos ideal. Como também
não nasci talhada para tocar nenhum instrumento musical, nem praticar algum esporte, e por mais que eu goste de dançar, sei que não nasci para ser a nova revelação da dança...por todos estes motivos, eu sempre vaguei meio sem rumo por aí. Sempre fiz um pouco de tudo mas nada com perfeição. Só agora eu descobri qual minha verdadeira vocação: nasci para ser mãe. Com isso me encontrei, mudei, descobri que dentro de mim existe uma pessoa que eu nem fazia idéia, vezes melhor, vezes não.

Para mim, era difícil assimilar que eu não era mais sua. Porque mesmo quando a gente ainda não estava junto eu já era sua. Mesmo quando a gente ficou meses sem se ver, eu continuava sendo sua. E quando eu tentava te esquecer com quem valia a pena, sem sombra de dúvida que eu era sua sim. Sei que na maior parte do tempo você não era meu marido, nem meu namorado, nem nenhuma outra palavra que possa ser colocada depois do pronome "meu". Sei que na maior parte do tempo
eu estava com você, mas você não estava comigo, e por mais que eu tentasse fazer você estar comigo você fazia pouco caso disso, já que não estava mesmo comigo. E quando eu tentava me afastar de você, aí mesmo que você não estava comigo nem em sonhos nem em pesadelos. Só que um dia depois de tanto tempo sendo sua e continuando sozinha, eu deixei de estar sozinha. E aí você disse: "ou ele, ou eu". Escolhi ele. E por mais inverossímel que parecesse você passou a estar comigo tanto quanto eu estava com você.
E para isso acontecer eu precisei passar por cima do meu orgulho, dos conceitos de uma sociedade inteira e, principalmente de você. Não foi nada fácil não, mas pelo menos eu achei que épocas difíceis haviam ficado para trás. Que o tempo em que eu era sua e estava sozinha, isso tinha ficado no passado. Só que, quando eu menos queria, isso voltou a ser realidade. E se já era difícil não ser nada sua antigamente, agora é que ficou impossível. É como se tivessem me dado uma amostra grátis só para eu sentir que gostinho tem a felicidade.

Não foi por falta de amor não. Só que ao contrário do que sempre acreditei, amor não basta. E você confirmou isso. O que basta é uma das perguntas que ando me fazendo ultimamente. É claro que me lembro dos momentos felizes, e eles não são poucos não. Pra falar a verdade, a grande maioria dos meus momentos mais felizes foi com você e dado por você. Nisso, você sempre foi craque. Mas só nos comerciais de planos de saúde é que a vida é feita de momentos. A vida real é um conjunto de momentos sim, mas é feita também de compromissos, responsabilidades e outras coisas não tão divertidas.
Esse monte de coisas que quando foi necessário você incorporar na sua vida, você não conseguiu e virou outra pessoa.

Sabe, se desse pra levar a vida como antigamente eu ainda acreditaria que amor basta. Só que não dá para voltar no tempo e mesmo que desse, eu não voltaria. Porque as mesmas coisas que fizeram com que fosse impossível a gente ser feliz junto me fizeram mudar e ter a possibilidade de ser feliz agora.
A dor que sinto cansa, e muito. Cansada, sim, mas feliz. Não pense que estou fazendo pouco caso da nossa felicidade anterior, mas é que ela é muito pequena comparada a felicidade que sinto hoje, mesmo estando longe dela. A felicidade que sinto é quando penso que tive a oportunidade de ter uma filha incrível, que mesmo sem me dizer uma única palavra me mostrou do que sou capaz. Sou capaz inclusive de perceber que ser humilde e não ter orgulho não é feio (coisa impossível em outros tempos não??). Percebo cada vez mais que é ela que estava me dando coragem pra viver e não eu a ela.

O seu domínio sobre mim acabou. Eu mudei, não sou mais a mesma pessoa que negava todos os seus defeitos e te olhava somente com bons olhos. Você mudou também. Ao contrário de mim você tornou-se feio, arrogante. Sua arrogância provém de sua fraqueza em mostrar ao mundo a pessoa que eu admirei. Ao contrário de mim você endureceu, vive em um mundo faz de conta onde tudo parece belo, mas você sabe que não passa de um mundo superficial onde as pessoas fingem estar felizes sempre. Que vergonha...Tudo o que você esconde hoje é a sua melhor parte. Parte que essas pessoas não conhecem quando olham para você no alto de seu pedestal. Desce daí, você está horrível! Por gostar de você magoei pessoas muito mais importantes. Não percebe que o espaço que foi ocupado por você não está mais disponível? Está vazio mas não é mais seu. É meu espaço, somente meu. Toda sua influência sobre mim acabou, você não conhece mais as minhas fraquezas o que você sabia sobre mim já não vale de nada. Eu até que tinha algumas boas lembranças mas você fez questão de pisar em cima das minhas flores e destruir completamente o meu jardim, e olha que reguei sozinha as flores que restavam por muito tempo. Agora as planto sozinha. E não adianta tentar me enganar com palavras que eu já gostei de ouvir porque hoje, para mim, elas são vazias. Pode até ser que sejam verdades da sua parte mas eu gostava de ouví-las de outra pessoa. Você pensa que serei sua para sempre. Gosta de repetir isso, mas eu não sou mais e você nem percebeu.
Pode saber que sinto saudades da pessoa que você era, uma pessoa capaz de se fazer apaixonar por qualquer outra, uma pessoa extremamente gentil, com um coração imenso. Uma pessoa que não gostava de magoar ninguém que ama, que não tinha vergonha de demonstrar os sentimentos, de sorriso fácil... E é para esta pessoa também que agradeço por ter me dado a melhor coisa da minha vida, mesmo que o final não tenha sido dos melhores.

Mas esta saudade não se aplica a pessoa que você se tornou, a pessoa que você me mostrou. Não se aplica a pessoa que existe hoje dentro de você. E por isso mesmo que é só saudade. Porque saudade é um sentimento que mora no passado, sem presente nem futuro.
E saiba que você nunca me domou pois existem alumas mulheres que simplesmente não podem ser domadas e precisam de um homem tão selvagem quanto para acompanhá-las.
Demorou, mas aprendi isso.



Imagem: Bicho Solto


Neste momento a serenidade foi ocupada pela indignacão envolta pela revolta. A maioria das pessoas possuem um grande defeito que percebo cada vez mais e quando dirigido a mim incomoda bastante. A mania de julgar sem ter passado por uma situação igual. Não me refiro a situação semelhante, me refiro a igual mesmo. Na minha opinião ninguém tem capacidade para julgar se não estiver na pele de quem julga. Bem confortável é "dar conselhos" quando se olha por fora, dizer deveria fazer isso, agir desta forma, seguir aquele caminho. A todos estes desejo que continuem sempre nesta posição e engulam suas opiniões pois estou farta delas. Bem farta mesmo. Se alguém ainda não ouviu de mim um belo " VAI SE F..." é porque a minha educação ainda prevalece e pode ter certeza que enquanto me dá conselhos é exatamente esta ou algumas frases piores que mentalizo à você.

Para quem não tem filhos é demasiadamente fácil falar qualquer palavrinha pois não tem a mínima noção do que é o amor incondicional e quem os têm não consegue nem imaginar o tamanho da dor de perdê-los. Estes últimos são bem mais plausíveis e dificilmente falam coisas sem sentido.

Seria importante as pessoas entenderem que perder um filho não é a mesma coisa que perder aquele seu querido animal de estimação que você tem desde que usava fraldas. Indiferente se a Valentina tinha 9 dias, 1 ano, 01 dia, 5 horas. Alguém deixa de sentir falta de um ente querido quando ele se vai, ou nunca mais vai pensar na pessoa simplesmente porque ela morreu? O seu animal de estimação com certeza não é mais importante do que isso. Eu não posso simplesmente ir a um pet shop e comprar uma filha. Percebe a diferença????

Estou e continuarei agindo de acordo com o MEU tempo, seguindo o meu coração. O meu tempo não é igual ao tempo de ninguém, cada um tem o seu próprio. Ouço de algumas pessoas a seguinte frase "você precisa seguir em frente, não pode viver de passado".. A questão aqui é: A VALENTINA NÃO É PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO, KCT!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Estas pessoas pensam que o fato dela não estar mais aqui é motivo para que eu não pense nela, não exponha fotos dela, não fale dela, e por aí vai. Falta uma pouco, digo muita, sensibilidade por parte destas pessoas para entender que por menos tempo que ela tenha ficado aqui ela foi um ser humano, ela tem uma mãe, um pai, avós, família. Ela fez parte de cada uma dessas vidas. A presença dela é passado mas a existência dela será sempre na forma presente do indicativo. Mais uma vez, percebe a diferença?????

Não me importo se algumas pessoas não sabem como falar comigo, o que falar, tem receio de ouvir, ou qualquer coisa do tipo, mas sinceramente, não esperem que eu aja como se a minha filha nunca tivesse existido porque não o farei. Cada um lida com sua dor da maneira que sabe e consegue. Eu não tenho medo de enfrentar a minha e jamais, em tempo algum esconderei de quem quer que seja a existência dela. As vezes chego a conclusão que são um bando de covardes que não sabem agir e não tem coragem de se colocarem em meu lugar, portanto evitam o assunto ou me evitam.

Nada disso significa que eu não esteja seguindo em frente, na verdade estou tão avançada que vejo o quanto estas pessoas são medíocres em gastar seus preciosos tempos me dando conselhos que não pedi. A vida é minha, a filha é minha, o presente, passado, futuro são meus, portanto não se preocupe comigo e vão cuidar de suas vidas para que seus castelinhos de areia não sejam levados pelo vento e vocês não sejam obrigados a ouvir seus próprios conselhos.

Quem não entendeu, para ficar bem claro este post não se trata da minha dor, e sim da mania que as pessoas têm de julgar como as demais agem. A minha dor não é um problema, nunca foi e jamais será.

E você, que costuma vir aqui e me ver sempre tão calma, evoluída, não se assuste. Foi um desabafo.


Imagem: Getty Images

"A descoberta de um erro em axiomas ou primeiros princípios baseados em fatos é como a quebra de um feitiço. Desaparecem o castelo encantado, a montanha escarpada, o lago flamejante. Os caminhos que conduzem à verdade, e que imaginávamos tão longos, tortuosos e difíceis, revelam-se como são: curtos, abertos e fáceis." HENRY BOLINGBROKE (1735)

E eu me sinto assim, pelo menos momentaneamente. Por alguma razão, estes dias consegui perceber que por mais que eu tenha um belo motivo para achar a vida difícil, não a acho. De alguma maneira percebi que as coisas fluem, os ciclos estão encerrando-se naturalmente sem que eu precise agir muito para que isso aconteça. É primordial nesta minha fase que os ciclos se encerrem, já que estou recomeçando. Como respondeu minha terapeuta certo dia a uma afirmaçnao minha "você não está começando tudo de novo, você está recomeçando. Um novo começo de uma nova etapa sendo uma pessoa diferente". Sábias palavras. Não sou mais a mesma realmente. Vezes ou outra me pergunto se é a idade ou se são os fatos que me modificaram, mas concluo que é uma mistura dos dois. Gosto muito mais de mim hoje.
Por muito tempo despretensiosamente me neguei a encerrar alguns ciclos, mais tarde fiz o máximo para encerrá-los. Não deu certo. Agora eles encerram-se naturalmente...

Posso garantir que sinto falta de alguns vícios, mas as vezes é preciso libertar as pessoas mesmo que não queiramos ser libertas por elas. Entretanto, as coisas são como devem ser, não adianta insistir quando percebe-se que mada mais acontece.

Entre todos os ciclos, faltam somente dois se encerrarem, todavia não dependem de mim, mas da vida.
Tudo é tão simples quando não questionado. Gosto disso. Pela primeira vez nesta minha maluca vida estou confortável com as mudanças.




fragmento: do Lat. fragmentu
s. m.,
pedaço de um objecto quebrado ou rasgado; extracto ou resto de uma obra; parte de um todo; fracção; migalha; estilhaço.


Diariamente ela recolhe os seus, esforçando-se para colá-los com perfeição. Apesar de apenas cacos, tem grande esmero com eles. Cada pedaço contêm algum valor sentimental que nem mesmo com muito esforço ela conseguiria desfazer-se deles. São restos de uma obra de arte fabulosa, feita com muito carinho, cada detalhe fora feito com muita diligência até atingir o quase perfeito. Foram anos de muito trabalho, obra que nenhuma quantia monetária poderia adquirí-la mesmo ainda se os artistas que a fizeram estivessem vivos. "Sombra do futuro, sobra do passado...transformar a perda em nossa recompensa..."

Certo dia, cansada, sem entender porque as penas caem, as escamas renovam-se, porque as vozes insistem em dizê-la o que fazer, sem mesmo procurar uma resposta para o que não pode perguntar, após utilizar todos os tipos de cola, e materiais, envolveu-os em um jornal e colocou-os no cesto de lixo certa de que as faces já gastas de tanta manipulação não regenerariam-se mais. Naquele momento eles pareciam pertencer muito mais ao cesto de lixo prateado do que a qualquer parte, gaveta, móvel ou armário em que ela pudesse colocá-los. Por alguns segundos parou e indagava-se "como isso aconteceu?..."quem a quebrou?..."será que o tempo a deixou tão frágil que se quebrou sozinha e nem percebi?". Entretanto não havia respostas e o destino certo dos exuberandes e delicados fragmentos coloridos era o lixo. Tentou por tantas vezes remontar a obra mas ela não chegava nem perto da aparência original, e por vezes, suas mãos sangravam manipulando os delicados pedaços.
Aquela obra fora lindíssima outrora, exibida com orgulho e ganhava na casa espaço principal. Sentiu-se culpada por conseguir livrar-se deles com tanta facilidade, senão sua certeza de que aqueles pedaços não tinham mais utilidade. Ela estava exausta de conviver com fragmentos, de qualquer coisa que fosse e não conhecia alguém que pudesse recuperar a obra, nem mesmo ela que conhecia mínimos detalhes do todo.

Pensou em resgatá-los mas sabia que em algum momento deveria livrar-se deles. "Quem é que guarda cacos em suas coisas?" perguntava à sua ainda sã consciência. Os pedaços já não tinham mais um lugar definido em sua casa, não saberia onde abrigá-los, mesmo os pedaços que tinham alguma beleza por si. Sem falar no constrangimento já que certamente qualquer pessoa que a visitasse pensaria naquela maluquice.

Para sua surpresa o funcionário da limpeza não os levou com o restante ali deixado, certamente pensou que estavam ali por engano, uma vez que os estilhaços ainda fazem algum sentido, pelo menos para quem nunca viu a obra inteira.
"Seria aquilo algum tipo de advertência?" Mas não pensou muito sobre isso, pois decidiu definitivamente não prestar mais atenção em fenômenos considerados num dado tempo independentemente da sua evolução, mesmo que acreditasse em sincronia.
Ultimamente a vida não enviava sinais nada claros sobre qualquer coisa a ela. Mesmo assim os recolheu e jogou-os num canto da sala de jantar, na esperança de que qualquer dia desses saiba que destino dar ao que sobrou, respirando aliviada por ver que há no móvel um grande espaço para uma nova obra.

Imagem: Getty Images

Paciência

Acordei hoje e vi o dia lindo que está aqui. Adoro a vista da minha casa. Bem rara em São Paulo. O céu azul e ensolarado traz de volta um gostinho de infância, quando eu morava em Atibaia e o céu era sempre azul. Quando o ano demorava a passar, o natal nunca chegava, e as férias passavam rápido. Adorava época de férias para vir a São Paulo, hoje quero sair correndo daqui. Como demorava para passar o ano...
Paciência sempre faltou em mim, desde que me conheço. Quando era pequena imaginava que os adultos sempre tinham tudo sob controle, pensava que ser criança não era tão bom assim, tinha que obedecer aos pais, aos professores, aos mais velhos.
Hoje, queria muito ser criança de novo e ter alguém controlando um pouco a minha vida. Engraçado como nem sempre sabemos o que fazer quando temos nas mãos algo que queremos tanto, como nossa própria vida.
Descubro cada vez mais que a paciência é uma das melhores qualidades que uma pessoa pode ter. A vida exige paciência em tudo. Paciência para atingirmos nossos objetivos, paciência para encontrar a pessoa certa, paciência para ter o emprego tão desejado, paciência para atingir um certo nível profissional, paciência para viver os 4 anos na faculdade, paciência no trânsito, paciência com os outros, paciência para esperar os 9 meses por nossos filhos, paciência para amenizar a dor, paciência durante a estrada para chegar em nosso destino mesmo que a estrada seja longa.
Acho que estou aprendendo a tê-la.

Sheyla Ramos, mais uma querida de blog, fez uma linda homenagem à mim e a Lelê. Como ela mesma me disse "A inspiração na mudança surgiu no pouco que conheço da sua história com a doce Valentina."

Obrigada Sheyla, é muito gostoso receber carinhos como este. O link está no título, passem lá para ver coisas muito deliciosas que ela escreve.

Quando tudo encurtou-se,
Nada mais abrasou-se.
Os sinos aquietaram-se,
E as flores ilharam-se.
...
O sorriso pelo apego
Era esperança por um aconchego.
Mas havia uma enxurrada de cascalhos
E a vastidão de inúmeros atalhos.
...
Sonhos desmesurados
E delicadamente adocicados.
Amor sobre-humano,
Até breve, meu encanto!


Bom, já que o assunto são as relações humanas, chegou a minha vez de falar sobre. Difícil saber ao certo a melhor maneira de agir. Magoar ou não uma pessoa que gostamos (entendam aqui a amizade) florindo a verdade ou lançar a amargura da notícia, ou fato?
Sou avessa a ferir os sentimentos das pessoas, principalmente das mais próximas. Tinha por primazia poupá-las de coisas pequenas que pudessem magoá-las, mas me sentia incômoda.
Na época em que engravidei magoei profundamente algumas pessoas, e por tantas outras fui magoada. Dessas, algumas me perdoaram e perdoei outras.
Passei então a observar. Observei meu comportamento com as pessoas e elas no geral. Com o tempo percebi que a comunicação entre a maioria dos seres humanos não é clara, a maioria tem uma capacidade de comunicação reduzida. Escolhemos cuidadosamente nossas palavras para manipular, agradar as pessoas, controlar, reprimir e aliviar culpas. Nossa comunicação cheira a emoções reprimidas, pensamentos reprimidos, motivos escondidos, baixa-auto estima e vergonha. Rimos quando queremos chorar, dizemos que estamos bem quando não estamos. Permitimo-nos ser "mortos e enterrados". Justificamos, racionalizamos, compensamos e passeamos com os outros em volta do quarteirão. Atormentamos e ameaçamos, ou nos deixamos atormentar e ameaçar. Às vezes voltamos atrás por isso. Às vezes mentimos. Nos desculpamos muito. A maioria das pessoas são indiretas, não dizemos o que queremos dizer, e o que dizemos nao é o que queremos dizer. Mas ninguém faz isso de propósito. Ou tentamos proteger alguém ou tentamos nos proteger. Aprendemos que não se deve dizer exatamente o que se quer e deseja, ou seja, é definitivamente proibido dizer não, magoar. Achamos que não temos o direito de dizer não, não temos certeza do que queremos e desejamos e quando o temos, nos sentimos culpados por isso e certamente não vamos ser honestos sobre eles.
Um dia, omiti um fato de minha mãe, nada grave, só um convite para um almoço que ela não foi convidada pois lá estaria uma pessoa que ela não conversava na época, e mais tarde quando ela soube ficou chateada comigo. Daquele dia em diante refleti muito sobre este tipo de ação e decidi que diria sempre a verdade a quem quer que fosse, por mais dolorido que possa ser. Para colocar totalmente isso na prática ainda terei pela frente algumas conversas esclarecedoras e doloridas.
Conversando sobre o assunto com a minha terapeuta, Bel César, ela leu um trecho de um de seus livros, o Mania de Sofrer:
"O medo de magoar aqueles que cuidaram de nós gerou o sentimento de culpa que nos faz sentir responsáveis pelos sentimentos alheios. Por isso, muitas vezes, quando adultos, não demonstramos sentimentos negativos para evitar a ameaça representada pela decepção alheia: "se eu não te agrado, é melhor você buscar outra pessoa". Assim, preferimos suportar o desconforto interno a correr o risco de decepcionar aqueles que amamos. Diante deles, buscamos preservar a imagem que estamos plenamente satisfeitos, afinal, eles são o máximo e sendo assim sempre nos satisfazem!"
Em outro trecho ela diz: "Você já se deu conta de que existem certas pessoas que jamais conseguimos agradar? Aliás, toda vez que tentamos fazê-lo, elas se aproveitam de nossa tentativa de aproximação para reclamar daquilo que nós não fizemos...

Em algum outro capítulo que não encontrei agora ela fala sobre permitirmos o abuso emocional com atitudes do tipo "você não vai me ajudar justo agora?", "mas eu preciso de você, você é mais forte que eu...", quando as pessoas nos fazem agir de acordo com o que querem nos fazendo sentir culpados. Mas isso é pauta para outro post.

Desde então, me permito agir da maneira com que eu sinta bem, sou sincera comigo e com meus sentimentos, correndo riscos ou não. Cada qual deve aprender a lidar com suas frustrações, estou aprendendo a lidar com as minhas. Digo o que quero dizer, sem rodeios, sem medo ou vergonha.
Posso dizer que ganhei muito, mas também perdi, já que nem todos me compreendem. Enfim, não quero mesmo o título de boazinha o que eu preciso agora é de paz. Garanto que é um caminho mais difícil. Os soldados que restarem e me aguentarem terão uma Karen bem verdadeira, sem máscaras.

Imagem: Getty Images

Bromélias

Linda flôr, comum, bela. Em suas lembranças as bromélias sempre terão algo paterno. Ele tinha muitas plantas e flores em sua casa mas bromélias sempre foram especiais. Não sabe porque, mas jamais verá uma sem pensar nele. Era um grande amigo, apesar de nunca ter morado com ele era figura presente em seu dia-a-dia, participante apesar de repentinos sumiços. Tinha problemas com álcool, mas ela não incomodou-se com isso quando pequena, pois amor nunca lhe faltou. Era um camarada gentil, engraçado, tirava facilmente sorrisos de qualquer rosto triste. Inteligente, impossível não se apaixonar por aquela figura cativante. Seu sonho era ter a família dos comerciais de margarina, mas demorou para que a conseguisse. O primeiro casamento ainda muito cedo, dois jovens não tinham maturidade para dar solidez a uma casa, uma filha. Esta muitíssimo amada, disputada praticamente a tapas. Não conseguiu na primeira tentativa, mas deu certo na segunda, anos mais tarde.
Aproveitou muito a vida, fez tudo o que teve vontade, inclusive foi irresponsável consigo mesmo. Sempre dizia "a vida é uma só, viva plenamente". Deu mais dois irmãos para aquela menina que também adorava uma família numerosa. Um homem lindo por dentro, com tantos defeitos como outro qualquer, mas como ele mostrava o que era "viver" a seus 3 filhos. A mais velha sempre teve uma relação diferente com ele, eram amigos. Quando ela perdeu a virgindade ele foi o primeiro a saber. O homem, no alto dos seus 30 e poucos anos via a responsabilidade de sua menina, acreditava em seu sucesso. A defendia com unhas e dentes das dores que a vida colocava, mas não percebia que ele mesmo causava algumas. Mesmo assim, ela a via como seu melhor amigo. perdoava seus erros e também o defendia. Não mudaria um defeito ou qualidade naquele que chamava de pai. Ele não fazia tudo certo como a maioria destes mas ela amava aquele sujeito espontâneo, tinha orgulho dele. Uma vez, fez com suas próprias mãos uma casinha de bonecas de madeira inclusive os móveis, quase do tamanho dela.
Ele fazia o que estivesse em seu alcance para vê-la feliz e o que não estava ele dava um jeito de alcançar. Um certo dia, quando pequena ela pediu as estrelas de natal. Sua avó dizia que não se podia ter as estrelas pois estas eram de todos e o homem disse "se você quer as estrelas eu as darei a você". Então, na noite de natal ela ansiosa por seu presente olhava para o céu estrelado e pensava "as estrelas ainda estão lá".... Quando abriu o embrulho feito tão carinhosamente por ele seus olhos encheram-se de leagrimas pois a caixa estava cheia de pequenas estrelas brilhantes com um cartão estas são as estrelas mais especiais, pois vieram do coração e não do céu". Ela nunca esqueceu aquela noite.
Ele tinha tanto orgulho dela, estava feliz que faltavam só alguns meses para a formatura dela na faculdade e dançariam a valsa dos pais para comemorar.
Então, 4 meses antes do baile aos 49 anos ele se foi deixando aqui uma filha que muito aprendeu com ele. Não dançaram juntos mas o homem estava muito bem representado pelo sogro dela, um segundo pai. Ela não chorou, sabia que de alguma forma ele estava a seu lado. Provavelmente agora está com sua neta apresentando-lhe as flores, as bromélias.
Em sua última conversa, um pouco debilitado ouvindo-a falar que faria de tudo para doar-lhe um órgão, disse "isso é consequência dos meus atos, não estou com medo. Portanto, minha filha, viva intensamente e sem medo mas apesar de tudo cuide de você com o amor que eu cuidaria".
Homem sábio.

O Livro


Quando descobri que a Lelê tinha um problema, na época o diagnóstico era de hérnia diafragmática, meu mundo foi em ruínas. Sentimentos dos mais variados tipos invadiram-me sem que eu tivesse tempo de detectá-los e dizer a mim mesma que tudo ficaria bem. Não, nem sempre as coisas ficam como gostaríamos mas leva-se algum tempo para perceber que os fatos são como deveriam ser.
Partiu então, de uma pessoa muito querida a idéia de escrever um tipo de diário para a Valentina. Era um modo de trazer esperança de que algum dia eu entregaria a ela aquele livro, ou seja, ela estaria viva para ter a oportunidade de conhecer sua mãe aos 30 anos. Foi para mim uma oportunidade de colocar meus sentimentos no papel e descobrir como lidar com eles. Escrever para a Valentina fazia com que eu não usasse minha mente de forma imprópria, não ficasse extremamente preocupada, obcecada e cheia de pensamentos ansiosos. Aprendi com isso a abandonar esses padrões. Minha mente conseguia trabalhar direito e era possível analisar os fatos. Foi uma fase bem difícil pela incerteza do futuro com ela, mas era possível de certa forma ter muito mais fé, e perceber o meu comportamento diante das circunstâncias.
Fui a uma papelaria que amo e comprei o caderno mais lindo, com capa dura, de couro e folhas totalmente brancas, sem linhas. Não queria linha alguma para delimitar o nosso espaço.
Comecei: "minha amada filha,"...
Me imaginei conversando com ela aos 15 anos, a idade em que pretendia entregar-lhe aquele presente. As palavras escorriam por meus dedos e eram impressas por uma caneta com escrita fina, tênue nas folhas brancas.
Era difícil discernir o que deveria ou não falar-lhe já que não tinha a intenção de falar de outras pessoas e estas faziam parte de minha vida e daquele momento primordial. Igualmente não queria parecer-lhe perfeita, já que não o sou, e nem mesmo quase perfeita. Deixei então as palavras fluírem preparando assim a minha mente para um pouco de sossego. Expressei o que sentia saudavelmente, o medo, o amor, as notícias, as consultas, a família, as orações, o dia-a-dia. Ela conheceria sua mãe como uma pessoa outra qualquer e não como a figura materna.
Após seu nascimento, eu passava os intervalos entre as visitas escrevendo pois meu desígnio em expressar as sensações vividas naqueles dias era absurdo. Estava desprovida de palavras para expressar o excesso de emoções. Mesmo desse modo, escrevia com os recursos que me eram abundantes - sentimentos. Algumas páginas tinham borrados, tradução de lágrimas.
Na ocasião dos preparativos para seu enterro tratei de libertar cada folha escrita já que o livro era grande para o pequeno espaço, dobrei-as com todo meu amor e lhe entreguei da maneira que pude.
O que foi escrito era destinado à minha boneca e assim cumpriu seu destino.

Imagem:Valcox's Flickr.

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