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E os testes continuam...


Fui dar uma volta por aí, explicado meu sumiço. Praia, meu lugar favorito no mundo. Olhar o horizonte, me perder na linha reta em azul turqueza com a mente vazia. Sem pensar. Sem questionar. Inspirar o ar puro, abrindo o diafragma e expirar bem devagar. Respiração correta é tratada na terapia. Desde que iniciei vi o quanto respiro mal, minha ansiedade não me permite que tenha longas inspirações/expirações. Movimentos vitais que na coreria do dia a dia é impossível prestar atenção a não ser que a pessoa seja praticante de yoga. A solicitação que muitos jogam da boca para fora "respira fundo!" tem muito sentido, e não só para a saúde física e mas para a mental.
O lugar escolhido é onde me sinto em casa. Naquele lugar me sinto mais eu.....
Fui em busca do sol, que decidiu não mostar a cara mas no lugar dele encontrei mais um teste de resistência. Me senti em um daqueles programas de televisão que mandam as pessoas para os piores lugares com o objetivo de testar sua resistência e o mais esperto/resistente ganha uma quantia em dinheiro. Eu, por outro lado devo ganhar alguma coisa que ainda não descobri.
Um dos hotéis mais legais com pé na areia possui entreternimento inclusive para os dias chuvosos. Aceita crianças. Eu, apesar de não ver a cara do astro, trazia uma tranquilidade que nem mesmo a ausência dele me zanguei. Utilizei todos os recursos que o local dispusera. Nem mesmo os adolescentes cochichando na hidro a beira do mar "vamos jogar água e expulsar elas daqui" conseguiram me irritar em contrapartida ouviram uma bela bronca com um "por favor" no final da frase. Engraçado como muda a postura de uma pessoa quando se torna pai/mãe, percebi isso quando a minha amiga pensava em berrar com eles e eu me perguntava onde estava a mãe dos pentelhos.
Era um desfile de bebês. Mães orgulhosas de suas crias dividiam-se entre um passeio na areia e as ordens às babás. Não contei quantos haviam, só sei que eram muitos. Até aí ok. Nada me incomodou e por nenhum momento a tristeza bateu à minha porta.
Todavia, como a vida sempre me testa, estava eu, naquele pequeno espaço, o melhor para se ocupar durante o dia nublado quando juntam-se a nós um casal com sua filha na média dos 4 anos. Logo, mais duas senhoras. Todos interagimos, falamos do tempo, aquela conversa de quem acabou de se conhecer. Tempo depois juntaram-se a nós os pais de um casal de gêmeos com seus bebês. Estavam ansiosos para ver como os pequenos reagiriam aquela nova descoberta. Todos estavam encantados com a menina que adorou a experiência e riam do menino que estava totalmente inseguro. Eu também me divertia com os dois até o momento em que a mãe e a outra mulher iniciaram uma conversa:
- Quanto tempo eles têm?
- 5 meses
- Ah, o meu outro filho que estâ com a babá também tem 5 meses.
- Eles dormem bem?
- Não, acordam a noite inteira e o seu?
- Também acorda, mas já me acostumei.
- É um sacrifício que vale a pena né?
- Com certeza, ser mãe é a melhor coisa do mundo. Os seus ainda mamam no peito?
- Não, já saíram da maternidade com mamadeira e o seu?
- O meu também, não tive muito leite. É a primeira viagem dos seus?
- Sim, estamos aproveitando bastante com eles, estão em uma idade de descobertas muito legal.
- É nossa primeira viagem com o nosso também. É muito difícil cuidar de gêmeos? Minha irmã está grávida de trigêmeos está adorando...
- Não, é bem difícil mas depois ela acostuma. Parece que já nascemos prontas para cuidar deles...


Mergulhei no meu silêncio. Naquele momento queria muito poder fazer parte da conversa. Mas não pude. Me restou ouvir, digerir. Aguentei firme e forte, afinal a vida me testa sempre. Mais tarde, longe de todos, chorei.


Imagem: Karen

17 comentários:

o choro deve ter trazido alívio!
é sempre bom colocar nossas emoções a tona!
valentina tem orgulho de você, você sabe!
beijos! =*

08/09/2008 11:22  

"E após algum tempo, lá estava ela com sua cria... enquanto brincava na areia, ela trocava receitas com outra mãe que também levara a filha à praia."

Florzinha, queria poder falar alguma coisa que te acalentasse. Mas não posso mentir para você. Imagino o que deva sentir nesses momentos. Queria te abraçar forte e dizer: "Pode chorar, estou aqui com você". Mesmo sabendo que não iria acabar com a saudade que sentes (e nem é essa a intenção), seria no intuito de te fazer sentir que conquistou, de verdade, uma nova amizade em mim. Mesmo que de uma forma fora das convenções, mas pelo que já te contei, sabe que fujo dessas como o diabo da cruz, né?

Um beijo.

Ah, recebi sua msg no celular. Mandei o recado pra Mel, rs.

08/09/2008 11:24  

Danielle,
Chorar sempre traz alívio. Desta vez foi um choro sem fim, dolorido, mas como sempre consegui me recompor e sorrir minutos depois...

Elga,
Tomara mesmo que tenha esta continuidade...
Um abraço nestas horas faz toda a diferença, seria mto bom mesmo ter vc por perto para me dar um abraço. Vc tb conquistou a minha amizade de uma forma que nem sei explicar.
A Mel deve me conhecer de outra vida! rsssss...as crianças vêem coisas inexpliceaveis né?

bjs

08/09/2008 11:42  

Karen,
Que bom que depois vc voltou a sorrir.
Qualquer coisa, mesmo de longe, estou por aqui.
Bjs.

08/09/2008 18:08  

Sabe,quando estava No RIO ,quando descobri o problema c meu bb,pra todo lado q eu olhava haviam gravidas,incrivel,todo mundo no Rio estava grávida,grávida e despreocupada,não havia 1 lugar q eu fosse q não havia muitas,eu atraía,ainda mais quando eu queria pensar em outra coisa.Comentei com minha amiga q lá era o universo das grávidas e ela disse q não achava não,não via muitas gravidas.
Agora acontece de td lugar q eu vá esteja infestado de carrinhos de bbs, de bb na mesa ao lado,na frente,em todo lugar,vivo ás margens do mundo baby.Enquanto estava td bem,gravida,achava q haviam poucas lojas de bbs no s shoppings,agora todas aslojas são pra bb,aumentaram?Na verdade é a nossa percepção q mudou, antes isso não chamava nossa atenção e agora virou mesmo 1 teste de resistencia.
Também acontece comigo,aguento e choro depois!

08/09/2008 20:21  

Não tiro sua razão, tão pouco o seu pensar, mas vou dividir o que aprendi, com um professor de compras e armazenamento no 2º grau técnico que fiz, e vai tempo, em 98 terminei, a frase dele é: "um lugar pra cada coisa, cada coisa em seu lugar" converta para metáforas e a use para a vida... vale para o que passou, para o que temos hoje e o que está por vir!
bjo

08/09/2008 23:46  

chorar faz muito bem pra pele, só não pode desidratar, por isso água de coco após o choro!!!

08/09/2008 23:48  

E a cada teste que a vida te impõe, você descobre o quão forte é. E veja como isso é bom!

Beijos.

09/09/2008 00:01  

Sempre fui a maior chorona. Quando criança, se levantassem a voz pra mim me sentia ofendida e chorava. Se não fizessem as minhas vontades, tmabém. Chorava por muitos e bobos motivos, mas, que, para mim, eram justos.

Agora, continuo chorona, mas menos mimada e mais forte. Quando alguma coisa me fere, me ofende, me deixa triste, choro, sim. E choro muito, choro forte, sem evitar as lágrimas. Acho que assim a gente se fortalece. A gente vive o sentimento que é preciso viver, que pulsa dentro de nós. E dá chance para que isso seja provisório e não se prolongue. Cada coisa no seu tempo. E se agora é hora se sentir a dor da perda, da saudade, da inconformação, vivamos isso tudo. Porque os dias mais felizes, ensolarados, os dias em que seremos protagonistas dos diálogos entre mães de primeira viagem, tb poderemos viver plenamente, livres do passado e prontas para canalizar os nossos mais nobres sentimentos...

Beijinho!

09/09/2008 10:37  

mudou a foto e pensei:Ai,entrei no blog errado!rs
linda!

09/09/2008 14:50  

Fotinho nova!!! que bonita!!!

sabe, Karen, já vim aqui umas 3 vezes ler esse post e, simplesmente, não sei o que escrever... tem horas que as palavras não cabem...

Só posso dizer que torço muito por vc e que, num futuro bem próximo, vc possa ter várias histórias de filhos pra contar (quem sabe até gemeos!?!)

beijos, querida!!

MAria Carla

09/09/2008 15:13  

Sheyla querida,
Estou bem sim :)
Chorar faz parte!

Dani,
Como vc disse no final é a percepção que aumenta. mas onde estava realmente tinham muitos bebês. 80% das pessoas que estavam no hotel estavam com eles.

Henrique,
vc e seus pensamentos complexos! rsssss
Mas, captei!

Ju,
vc tem toda razão. E não tem como fugir né?

Paty,
sim, chorar faz bem e como vc disse no seu post, depois que passa aguentamos firmes e estamos próximas para o próximo choro por um motivo inédito!

Maria Carla, sempre fofa, querida...
Obrigada pelo bonita! Olha, sei que as vezes não temos palavras para consolar alguém, mas sabe, o carinho já me basta. Tomara mesmo! Adoraria ter gêmeos, sempre quis!

bjs

09/09/2008 15:32  

Ah! Espertinha...
Não coloca post novo, mas muda a foto, pelo menos.
Adorei!
Beijos.

09/09/2008 17:37  

Sério que vc sempre quis gêmeos?!
então, fica a promessa: se eles vierem, faço questão de dar roupinhas iguais de presente!! rs
Tomara!! vou adorar!!
beijos

09/09/2008 18:20  

Elga,
alguma coisa tem que mudar né! rssss

Maria Carla,
Falta o pai! rssssss
Vou querer mesmo heim!!!!
bjs

09/09/2008 18:31  

Ai, FLor...
A Contigência (tudo o que não é poderia ter sido e vice-versa) do mundo, sempre há de nos deixar com um aperto no peito ou no estômago.
Eu não posso dimensionar a dor das suas lágrimas, assim como é impossível pra qualquer um saber o tamanho das minhas. Acho, e apenas acho, que no fim, somos irmanados na mesma dor e na superação delas, em um abraço comum de sentimentos possíveis de encarar.
Não sei se um dia isso será diferente pra você, se poderá estar numa situação como essa e não sofrer pelo que não é.
Apenas não deixe de acreditar que existe um arco-íris no fundo do pote.
E respire!

11/09/2008 17:46  

Acredito que não haverá um único dia em que não vá se lembrar de sua menininha, Ká. Realmente não há como. Mas tenho a certeza plena de que no decorrer do tempo esse turbilhão vai se acalmar. Tudo tem que ser devagar, ao seu tempo.
Sempre haverá uma pequena sombra em algum lugar.
Mas também sempre haverá a sua menina mostrando o sol, da maneira que pode.

12/09/2008 16:22  

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