Aprendi a gostar da limonada feita com os limões de meu quintal.
7 comentários Postado por Karen às 11:37:00 PMExistem 5 momentos que jamais esquecerei na vida, principalmente por não conseguir entender até hoje exatamente o que senti:
- Quando peguei aquele beta hcg nas mãos e li "grávida";
- Quando ouvi aquele chorinho gostoso, pela primeira vez, e juntas choramos;
- Quando ela fez graça com o pezinho para me mostrar que fizeram um furinho;
- Quando ali, em meus braços, ela deu seu último suspiro;
- Quando ela foi sepultada.
Resumindo assim, parece triste, uma história que não deu certo, uma fatalidade, mas a verdade é que nenhum destes momentos foi completamente feliz ou completamente triste.
Até hoje não consegui entender como foi exatamente a organização dos meus sentimentos, uma mistura de super poderes com boneca de porcelana. Me sentia tão forte e tão frágil, como se eu pudesse tudo e ao mesmo tempo, nada pudesse. Com a felicidade vinha o medo, com a tristeza vinha a esperança.
Com o passar dos dias, as vezes longos, outros nem tanto, percebi que este amor desmedido, incontrolável era mais forte do que qualquer dor de perda. Tive uma confirmação do meu aprendizado de desapego, coisa que não é tão simples se não na marra. Só um amor tão grande era capaz de uma lição tão rápida, afinal, tive menos de uma hora para me despedir.
Me levantava a cada dia e pensava: "hoje será menos difícil". Passei a sorrir mais, mesmo que não tivesse razões para fazê-lo. Após viver o meu luto, aprendi a aceitar o que a vida me dá, e com isso, passei a entender que por mais que eu queira algo, se aquilo não acontece da maneira como gostaria não significa que não foi bom, mas que existe algo pra mim lá na frente, algo diferente que eu nem sequer, imaginei. Tive momentos em que tive uma certeza profunda que jamais seria completa novamente, e falava isso com toda propriedade. Mas a vida como sempre, me surpreendeu.
Os meus sentimentos foram se organizando, claro, com meses de reflexão e questionamentos sentada na varanda, tomando uma xícara de café puro. Passou o outono, a primavera, o pôr-do-sol tornava-se cada dia mais lindo e os sorrisos mais espontâneos.
Continuo acreditando que a vida não é feita somente de momentos felizes, entretato, tenho plena consciência de que os momentos difíceis são mais construtivos. talvez, eu não tivesse crescido tanto sem passar por tudo isso, doeu, bastante, mas talvez tenha que ser assim mesmo.
Hoje sinto uma paz que jamais havia sentido em toda minha existência. Se eu não tivesse tido uma certa coragem em enxugar as lágrimas e seguir em frente, não teria conhecido ele, que traz consigo e desperta em mim um amor do qual eu nem lembrava mais como era sentir.
Quando era criança, eu não tinha idéia do que a vida significava. Gostava de sentar aos pés do meu bisavô, que passava as tardes contando histórias a mim e a minha prima. E cotidianamente, após aquelas viagens na qual os três embarcávamos, fazíamos uma visita ao tio da padaria de onde sempre levávamos alguma guloseima. Mais tarde, corríamos para ver o nosso bisavô tirando o "olho de vidro" para lavar (ele usava prótese, coisa que fui aprender bem mais tarde, mas atee então, meu bisa era mais legal ainda que os outros pois só ele tinha o "olho de vidro"!!).
O maior medo era não ganhar a tão esperada Barbie com a roupa de gala, ou ter os móveis preferidos escolhidos primeiro por minha prima na brincadeira de casinha. Lembro-me como se fosse hoje, como tanta simplicidade as vezes me faziam pensar que era chato demais ser criança, mas mesmo assim, nunca desejei que fosse diferente.
Mas o tempo passa, e assim como todos, cresci, e passei de criança a mulher. Dias atrás, me peguei falando pra minha mãe: "ser adulto cansa, queria só um pouquinho, voltar a ser criança". Tenho certeza que todo adulto já pensou isso em algum momento de sua vida.
Ser adulto traz consigo outras delícias que não tínhamos na infância, entretanto, alguns aprendizados um tanto quanto doloridos.
Hoje, olhando pra trás, pensando no meu caminho até hoje, entendo quando alguns amigos falam de sua admiração na maneira como lido com as coisas. Sabe, confesso que não foi fácil, principalmente aprender a viver com a ausência da minha boneca, e para estes, tão queridos, a explicação é a seguinte:
se tiver cuidado com seu coração, seus sentimentos e acreditar que, por pior que esteja sua vida no momento, acredite, mesmo a maior dor do mundo um dia acalma, este coração dolorido cicatriza. Tudo passa. Toda felicidade e toda dor passam, assim, em um piscar de olhos, é preciso saber olhá-los e sentí-los, e, o mais importante, como diz Robert Carlos, saber viver. Geralmente, há beleza na flor com espinhos.
Recomenda-se ler com a trilha...depois, veja o vídeo.
Havia um certo tempo desde o último amor, ela até que estava se acostumando bem com a vida singular, mesmo que, as vezes estivesse ali um sujeito, bem ao lado. Aos olhos dos outros uma mulher singular, que se fortificava e crescia, diariamante. Mesmo sentindo-se dessa maneira, percebia também, a enorme diferença entre a capacidade e a execução desta independência. Sem contar que não era este, no fundo, seu verdadeiro jeito de ser. Ela gostava como qualquer outra, de mimos.
Se deixar cuidar ficou difícil. Permitir sentir ficou praticamente impossível, e quando ela percebia que os sentimentos mais intensos estavam prestes a florescer, saía em disparada, totalmente sem rumo, com a única intenção deixar essa sensações bem longe de si. O lado negativo deste estado de não se achar sob domínio ou influência estranha é que, a maioria das pessoas acostuma-se com ele. Ela era prova disso.
Com o passar das fases, a mulher percebeu que a maioria das coisas em sua vida tornaram-se mais fáceis de administrar, mas ela sabia também que não era a maneira mais gostosa viver, porque tanta simplicidade trazia consigo certa solidão.
A questão não era a falta de pretendentes ao cargo, mas o tamanho da exigência de si mesma e racionalidade diante deles. Justo ela, que outrora foi tão emocional...
Lembrava-se ainda, que o último a quem ela amou, não tinha o mesmo timming. Fora extremamente importante em sua vida, mas os dois não conseguiam acertar os passos.
Foi então que, ele passou a fazer parte de sua vida. Podiam-se dizer colegas, o conhecimento sobre a vida do outro era razoavelmente superficial. E, da mesma maneira como os furações, terremotos, totalmente sem aviso, no meio de histórias e vulcões que se olharam de verdade.
Ela aprendeu com ele, que nem sempre precisa-se de timming, o momento é agora. Se todos esperassem sempre pela hora certa, talvez não houvesse o Grito da Independência. Ele percebeu com ela, que, na chuva, sempre tem alguém disposto a se molhar com você.
Eles têm andado de mãos dadas, como velhos amantes, sentem-se como se convivessem há anos, são cúmplices.
Ele acreditou nela, e ela confiou nele. São muito parecidos mas com histórias diferentes por isso se entendem.
Ela reaprendeu a dividir, a se entregar. Ele pronuncia sempre na 1a pessoa do plural, e ela adora. Ela teve medo e ele mostrou que ela pode sim. Ela e ele viraram tão derepente, eles, onde as noites tornaram-se mais suculentas e os dias mais saborosos.
Entre vinhos e risadas, conversas sérias e outras nem tanto, entre risotos e beijos eles têm se divertido.
Ao lado dele, ela tem vontade de ficar.

Pouco tempo atrás, li este lindo texto da Tatá, texto que adoraria ter escrito. Cada frase contém um pouco de mim, foi identificação instantânea. Não como aquelas sopas ralas, macarrões moles. Muito mais denso, com toda sustância necessária para viver cada um daqueles sentimentos.
"porque eu quero ser tudo o que eu puder. chega de barreiras, de limites, de cercas me delimitando espaço e me dizendo por onde eu posso ou não posso ir. meu caminho é o mundo inteiro. todas as cores, todas as dores, todos os 'sims' e todos os 'nãos'. eu quero tudo, o amor e a dor, quero da cabeça aos pés, quero por fora, por dentro e o que mais tiver direito. vontade do mundo. vontade de vida, vontade de me deixar colorir por dentro.
às vezes é assim mesmo. vem um tufão impiedoso, derruba tudo pelo caminho e deixa a gente de peito aberto, indefeso diante da vida.
dá medo. ah, dá. um medo danado.
porque é intenso, e derruba, e transforma. e às vezes dói. e às vezes muito.
mas quando a gente se levanta no dia seguinte, olha pela janela e um sol desavergonhado vem nos dar bom dia convidando a começar tudo de novo, ai, que vontade que dá.
eu tô assim.
pura vontade. pura intensidade.
os braços abertos antes do salto de pára-quedas. o imenso vazio azul-celeste até onde a vista enxerga. o coração batendo acelerado.
e aquele friozinho inconfundível na barriga."
Porque a enorme vontade de ser, fazer e viver é grande. Vai além do óbvio a mistura diversos e intensos sentimentos, então, não raras vezes saio correndo. Do outro lado da linha, aquela voz tão firme, sempre sabe o que diz: "permita-se", dizia ela. Saia do chão, sonhe, porque você pode. Você é linda por dentro e por fora. Pare com essa auto-sabotagem.
Tudo bem, pode entrar, porque quero torbellino e muito mais.
imagem: Thais Beltrame
A vida é realmente muito maluca. Quando era criança pensava que conforme as pessoas cresciam os caminhos já eram definidos, que todos cresciam, estudavam, se formavam, namoravam, casavam, tinham filhos, pagavam contas, envelheciam, tinham netos, e morriam. Mais ou menos assim. Nunca percebi a complexidade da vida, de ser adulto, do dia a dia, das mudanças de caminhos, da quantidade de amores que podemos ter, de quantos sentimentos diferentes existem, de quantas infinitas possibilidades temos, simplesmente pelo fato de estarmos vivos.
Se eu tivesse prestado um pouco mais de atenção teria visto que os meus pais, ali, bem aos meus olhos eram exemplo clássico dessas diversas possibilidades.
Confesso que cresci não os entendendo, e por serem tão diferentes, desenvolvi uma mania de criticá-los. Mal sabia eu, que sou tão parecida com eles. Então a menina cresceu, a princípio somente em tamanho. Queria ser diferente daqueles dois tão fora do padrão. Ser fora do padrão era tudo que eu não gostaria de ser. Mas eu já era, e não percebi. A mesma vontade de viver que meus pais tinham, era enraizada em mim. Hoje, entendo perfeitamente aqueles dois, que eu chamada de loucos. Eram loucos pela vida. Que lindos. Ainda bem que sou filha deles, não poderia ser filha de uma Maria e João, Paulo e Regina, Carlos e Lucia. Sou filha deles, sou como eles. Trago dentro de mim essa vontade de sentir as coisas, de amar as pessoas, de superar as dores, de crescer, de ser digna em todos os meus momentos. Com eles, aprendi a não ter preconceito, sou muito grata por isso.
É muito bom, poder ver beleza onde a maioria das pessoas vê feiúra. Um exemlo clássico desta minha curiosidade pela vida, me leva ao Sr. Raimundo. Raimundo, seu nome de batismo. Fala o português perfeito, sem erros, pronúncia clara. Temos algo em comum que é a escrita. Assim como eu, ele gosta muito de escrever, e o faz com magnitude. Vejo Sr. Raimundo diariamente a caminho do trabalho. Há anos passo em frente a sua morada, sempre com muita vontade de parar para conhecê-lo pessoalmente. Tenho a idéia clara de que posso aprender algo com as histórias de vida alheias onde sei que posso encontrar a beleza que não é vista a olhos nus.
Sempre atrasada para o trabalho não conseguia parar para bater um papo com o Sr. Raimundo.
Mas aquele desejo crescia, e certo dia acordei bem mais cedo, passei na padaria, comprei um pedaço de torta de frango para levar, afinal, não se chega na casa de alguém pela primeira vez com as mãos abanando.
Não consegui estacionar o carro, então parei e o chamei. Nos conhecemos rapidamente, entreguei a torta, falamos sobre a pressa na vida cotidiana. Ele me pediu que voltasse pois escreveria algo pra mim, e assim combinamos, no sábado. Esperei ansiosa pelo sábado, e chegado o dia fui visitá-lo com calma.
Quando cheguei, ele estava fazendo a janta, e escrevendo.
- "O que está escrevendo?"
- "Meu diário de nutrição. Anoto tudo o que consumo, para saber se estou me alimentando corretamente"
Nossa, nunca fiz isso!
- "O que mais o senhor escreve?"
-"Pensamentos, sentimentos"
- "Também gosto muito de escrever"
-"Faz bem à alma".
- "E o frio, como o senhor está passando?"
-"Não gosto do frio, mas a gente aprende a conviver com o que é difícil"
Queria levar um cobertor a ele, mas ele recusou. Estava acostumado a viver assim. Mais tarde, ofereci 2 reais, e ele recusou, decididamente.
Ele estava sentado, com seu caderno no colo, então, me agachei, e fiquei ali, conversando não sei por quanto tempo, não poderia olhá-lo de cima para baixo, me sentia pequena demais perto de Raimundo. Ele têm olhos doces. Tem um coraçnao bonito, por trás daquela roupa preta.
Não bebe, não fuma. Pedia licença de vez em quando para dar uma olhada na panela que estava no fogo.
Me entregou o escrito, como havia prometido:
-"Gestos - Páginas Autografas.
"Na escola, o único aluno com sinal de desnutrição, hoje, acabaria, fonte de nutrição mental".
aas.: o "Condicionado".
SP, 16-6-1999+10(<) ".
Ainda não sei como ele foi parar ali, achei invasão demais perguntar isso no segundo encontro.
Raimundo é nobre.
Na despedida, ele convida-me a jantar:
-"Gostaria de ficar para jantar?".
Não aceitei pois tinha comido há menos de 2 horas.
Combinamos que eu voltaria para batermos mais papo.
-"Foi um imenso prazer conhecê-lo", eu disse. E nos despedimos.
Ela tem cara de fada. Olhos grandes e bem azuis, sorriso largo e bonito. Jeito, nem tanto. Solta palavrões, é debochada, engraçada.
Nossas vidas se cruzaram meio que por acaso, éramos namoradas dos amigos. Não havia nenhuma lei, nada que fizesse obrigação nos tornarmos amigas. Mas a amizade nasceu, floresceu, se fortificou. Sua presença sempre ilumina o ambiente. Notável, inteligente. Com o pasar dos anos, minha admiração crescia, seus conselhos, as vezes em forma de bronca eram sempre bem vindos. Sensata. Ai, que linda sinceridade. Em algum momento, ficou estabelecido que seríamos madrinhas. Fui sua madrinha de casamento, que imenso prazer! Éramos poucos naquele dia, mas me sentia honrada por fazer parte de um momento tão importante. Como o meu amor por aquelas duas pessoas poderia ser tão grande? Eles eram exemplo de amor, não um amor perfeito, de novela. Mas um amor de verdade, com dificuldades, brigas, cotidiano. Mas eles são tão lindos, perfeitos um para o outro. Necessários como amigos.
Entretanto, como tudo na vida, as coisas mudam de rumo. Eles, sempre ao meu lado, era como se na separação de bens, tivesse sido decretado "eles ficam com você". Ainda acho que saí ganhando.
Quando feita a descoberta da existência do meu maior amor, dúvidas. Medo. E agora? "Estou aqui, amiga.". Suas palavras me deram uma imensa coragem, certeza de que eu poderia enfrentar o mundo, com ela ao meu lado. Também, por essa conversa, houve um fim de amizade. Cada um, segue por onde quer.
Durante toda sua estadia aqui, ela estava ao meu lado.
Mas, quando ela se foi, aquela força não pôde estar ao meu lado. De alguma forma, eu sempre senti que essa força continuava comigo.
Do meu crescimento, inclusive, fez parte esse grande teste. Mas meu amor por ela era maior, e eu sabia que se aqueles olhos azuis não estavam comigo, não era por falta de vontade. A dona deles também é humana, tem fases como eu, como qualquer um. O que importa, é que estávamos sempre em seu coração. Hoje, ela está ao meu lado, e a boneca tem um coração só seu. Do lado direito, como deveria ser. E é assim que são ser os amigos de verdade. A madrinha no meu, eu e a Lelê no dela.
Te amo muito, madrinha.
Gosto muito de ver o tempo passar, cada novo dia, um acontecimento, uma surpresa, um novo amigo, um novo aprendizado, uma descoberta. Não necessariamente cada caoisa citada seja boa, mas é o movimento. Aprendi a gostar demais de ver tudo em movimento.
Confesso que realmente não sei para onde estou indo, mas o bom é que vou. Em alguns passos encontro alguém que queira me acompanhar, uma mão amiga, um abraço, ou simplesmente alguém que caminha comigo, simplesmente por querer estar aquele instante ali.
A boneca, sempre aqui, dentro de mim, fazendo com que meu amor continue crescendo, crescendo.
Dia desses, descobri algo interessante sobre mim. Porque eu não comparo outras crianças, ou situações com a nossa história, o porque não olho para uma criança e penso "ela estaria assim, ou estaríamos vivendo do jeito assado", raras exceções como datas especiais. Simplesmente porque não nos foi permitido outra escolha. É desse jeito, e pronto. Nada mudaria o desfecho disso, então, basta o amor que existe.
O resto, são histórias, que não nossas.
Ouço muito as pessoas dizerem com certa admiração, que não entendem como consigo. Também não sei como, simplesmente, é assim. Não tão difícil, mas não tão fácil. Algo que só eu entendo, e ninguém mais.
e assim continuo, um dia de cada vez, olhando sempre em frente, com a certeza que todos os dias são diferentes.
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